Mais de 200 milhões de crianças são vítimas de violência sexual no mundo

POR LUIS MIRANDA | THE REAL AGENDA | MARCO 16, 2013

Mais de 200 milhões de crianças, principalmente as meninas, têm sido vítimas de violência sexual no mundo, de acordo com um relatório da Plan International, uma organização não governamental (ONG) que propõe um aumento do papel dos governos e da sociedade civil para erradicar este problema.

O relatório “O direito de das meninas de aprender sem medo“, afirma que “estima-se que 150 milhões de meninas e 73 milhões de meninos foram vítimas de violência sexual.”

Com base em dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), Plan International indica que “quase metade de todas as agressões sexuais são cometidas contra meninas com menos de 16 anos.”

Entre 500 e 1.500 milhões de crianças sofrem alguma forma de violência a cada ano, de acordo com o estudo, cujos autores têm escritórios em 70 países. Segundo eles, a prevalência da violência sofrida pelas crianças “é inaceitável”.

De acordo com os resultados, pelo menos, 246 milhões de crianças em todo o mundo sofrem violência na escola todos os anos, como evidenciado pelos resultados.

“Estima-se que 66.000.000 de crianças não recebem educação que pode transformar suas vidas e o mundo ao seu redor”, sendo que é mais provável que aqueles que completem o ensino primário e secundário recebam uma renda maior, tenham menos gravidezes indesejadas e quebrem o ciclo de pobreza.

A ONG cita a violência de gênero e nas escolas como um “grande obstáculo para a realização de uma educação de qualidade.”

Acrescenta que “na maioria das sociedades as relações desiguais de poder entre adultos e crianças e os estereótipos sexistas deixam as meninas particularmente vulneráveis ​​ao assédio sexual, estupro, coerção, exploração e discriminação por parte dos professores, funcionários e colegas durante o tempo do curso letivo. ”

No caso da América Latina e do Caribe, gravidezes precoces, que são crescentes na região mostram uma situação de abuso e violência sexual como um ato criminoso que “seriamente” prejudicam o desenvolvimento atual e futuro das meninas.

Isto foi afirmado por Roland Angerer, Diretor Regional de Plan International, que diz que a América Latina tem mais de 104 milhões de crianças sem oportunidades de desenvolvimento, apenas porque são jovens e mulheres.

Esta é realmente a influência decisiva das gravidezes precoces, o que muitas vezes ocorre como resultado da violência doméstica, nas escolas e também pelo ambiente social da comunidade em que vivem crianças e adolescentes, disse o diretor para América Latina e o Caribe.

Outro fator que trabalha contra o desenvolvimento de crianças e adolescentes é o trabalho doméstico, que, segundo Angerer “rouba tempo” que as crianças necessitam para estudar e atrasam a sua entrada para a escola.

Somado a isso, o conteúdo educacional, que é outra barreira que “não ajuda a superar as diferenças de gênero” diminui suas oportunidades e capacitação, disse o diretor da Plan International, que tem um escritório regional no Panamá.

O relatório sublinhou a necessidade de, além de garantir o acesso a escolas, que as crianças recebam uma “educação de qualidade em um ambiente escolar seguro, livre de preconceito e que promova a igualdade de gênero”.

Neste sentido, Plan International também propõe ações “abrangentes e integradas” entre governos e organizações da sociedade civil para prevenir e responder à violência.

Essas ações e políticas devem ser sensíveis ao gênero, levando em conta a diversidade de experiências, as necessidades das crianças marginalizadas e, especificamente, analisar o contexto escolar.

 

Over 200 million children are victims of sexual violence in the world

By LUIS MIRANDA | THE REAL AGENDA | MARCH 11, 2013

More than 200 million children, mostly girls, have been victims of sexual violence in the world, according to a report by Plan International, a nongovernmental organization (NGO) which proposes greater action by governments and civil society to eradicate this problem.

The report “The right of girls to learn without fear“, states that “worldwide is estimated that 150 million girls and 73 million boys have experienced sexual violence”.

Based on data from the World Health Organization (WHO), Plan International notes that “nearly half of all sexual assaults are committed against girls under 16.”

Between 500 and 1,500 million children experience some form of violence each year, says the study, whose author organization is present in 70 countries, and points out that the prevalence of violence experienced by children “is unacceptable.”

According to the findings, at least 246 million children in the world suffer violence at school every year, as shown by the results.

“Some 66 million children receive no education that could transform their lives and the world around them”, as it is more likely that those who complete primary and secondary education receive a higher income, have fewer unwanted pregnancies and break the cycles of poverty.

The NGO identifies gender violence and around existing schools as a “major barrier to achieving quality education.”

He adds that “in most societies unequal power relations between adults and children and gender stereotypes leave school girls particularly vulnerable to sexual harassment, rape, coercion, exploitation and discrimination from teachers, staff and peers”.

In the case of Latin America and the Caribbean, early pregnancies, which are increasing in the region, shows a situation of abuse and sexual violence that constitutes to a criminal act that “seriously” harms the current and future development of the girls.

This was stated by Roland Angerer, Regional Director of Plan International, who says that Latin America has over 104 million girls without  opportunities for development just because they are young and women.

In this reality there is the decisive influence early pregnancies, which often occurs as a result of domestic violence, in schools and also by the social environment of the community in which girls and adolescents live, said the director for Latin America and the Caribbean of this NGO.

Another factor that works against the full development of children and adolescents is domestic work, which according to Angerer “takes time” way from studying and delays their entry to school.

Added to this, is the educational content, which constitutes another barrier that “doesn’t help them overcome the gender gap” that diminishes their opportunities and empowerment, added the director of Plan International, which has a regional office in Panama.

The NGOs stressed the need, in addition to ensuring access to schools, for children to receive a “quality education in a safe school environment free of prejudice and to promote gender equality.”

In that sense, Plan International also proposes “comprehensive and integrated” actions between governments and civil society organizations to prevent and respond to violence.

These actions and policies should be gender sensitive, taking into account the diversity of experiences, the needs of marginalized children, and specifically analyze the school context, highlights the NGO’s report.

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