Roundup está no Solo, os Alimentos e a Chuva

Onde for que o químico da Monsanto é usado, ele deixa o solo, sobe e desce sobre as nossas cabeças.

Tradução Luis R. Miranda
GMFreeze.org
Outubro 22, 2011

Monitoramento pela U.S. Geological Survey (USGS) revelou que o glifosato e o seu subproduto, o Acido Aminometilfosfônico (conhecido como AMPA) foram frequentemente encontrados na chuva e rios na Bacia de Mississippi, onde a maioria das culturas tolerantes ao glifosato são cultivadas. [1]

Glifosato (a base do produto Roundup da Monsanto) é amplamente utilizado nos EUA com produtos conhecidos como RoundupReady, que foram geneticamente modificados para tolerar o herbicida, para que eles sobrevivam quando os campos são pulverizados com este produto. Plantas tolerantes a herbicidas geneticamente modificados não são cultivados no Reino Unido devido a preocupações sobre os impactos adversos causados pelos herbicida sobre a fauna que incluem a perda de habitat. Mas Monsanto continuamente pede a sua adopção. Soja e Milho RoundupReady são importados dos EUA para utilização na alimentação animal, produtos lácteos e de carne estão infestados de transgénicos e não são rotulados em muitos supermercados britânicos e do mundo.

Os resultados da USGS são baseados em dois estudos de chuva e bacias hidrográficas em áreas agrícolas da Bacia do Mississippi onde o existe o “maior uso” de glifosato para controlar ervas daninhas que crescem perto do milho, algodão e soja geneticamente modificada e que são tolerantes ao glifosato / Roundup. Os relatórios da USGS mostram que o uso do glifosato aumentou em oito vezes, para 88,000 mil toneladas, nos 15 anos até 2007, corroendo ainda mais o mito de que as culturas geneticamente modificadas reduzem o uso de químicos.

Monsanto negou múltiplas vezes que o glifosato seja lavado dos campos em quantidades significativas, alegando que o herbicida se liga ao solo e, por tanto, não pode ser lavado. [2]

Os resultados da USGS confirmam as advertências de outros países que o glifosato é mais móvel em solos do que algumas empresas de biotecnologia admitem. [3]

A presença de glifosato e AMPA em águas de superfície significa que a qualidade da água que e usada pela fauna aquática pode estar em risco. Estudos têm demonstrado que muitas espécies aquáticas são afetadas pelo herbicida e seu produto de degradação, e há cada vez mais preocupações com a segurança do produto para a saúde humana. [4] Além disso, o uso excessivo do glifosato na soja transgênica, algodão e milho está aumentando a propagação de ervas daninhas que se tornam resistentes ao herbicida, o que significa que mais Roundup deve ser utilizado, frequentemente em combinação com outros herbicidas, em uma tentativa para controlam as novas “super ervas”.

O USGS encontrou glifosato em mais de 60% do ar e chuva amostrados em três locais no Mississippi, Iowa e Indiana, com AMPA encontrado em 50% das amostras, em concentrações de até 9.1ng/metro cúbico e 0.49ng/metro cúbico, respectivamente. [5] Pesquisadores da USGS estimam que cerca de 1% do glifosato pulverizado acabou nas águas nas quatro áreas ONDE FOI feito o monitoramento de rios. As concentrações variaram em diferentes sistemas fluviais que formaram parte do Programa de Monitoramento. O mais alto nível de glifosato detectado foi de 5.7μg/litro. [6] Este não seria um nível permitido no abastecimento de água potável segundo a Directiva da União Europeia.

Este ano, a Comissão Europeia adiou para 2015 a revisão de segurança na aprovação europeia de uso de glifosato. [7]
Comentando para GM Freeze, Pete Riley disse:

“A Bacia do Mississippi foi submetida a aplicação de glifosato em grande escala nos últimos 15 anos. Como resultado deste experimento gigante e descontrolado, o USGS está encontrando agora que produtos de degradação do glifosato estão aparescendo nas chuvas e rios, e não, como Monsanto querem nos fazer pensar, que este fica no solo com segurança.

“Os políticos e os reguladores precisam tomar nota destas descobertas e suspender o uso de culturas tolerantes a Roundup para proteger a água, que abastece a vida selvagem e a saúde pública. O primeiro passo e reagendar urgentemente a revisão de segurança de glifosato, garantindo a transparência e que os fornecedores dos dados e estudos sejam independentes da indústria.

“Graças a oposição do público e alguns Estados-Membros, a UE tem escapado de ser parte do experimento da Monsanto e disseram ‘Não’ às culturas tolerantes a herbicidas geneticamente modificados, que agora é justamente visto como uma escalada da corrida armamentista química que começou na década de 1950. Com base no último levantamento da USGS, é hora de usar novas táticas. A evidência sobre a segurança de e movimentação de glifosato acumula méritos para a proibição de transgênicos tolerantes. ”

Notas

[1] USGS press release, 29 August 2011. “Widely Used Herbicide Commonly Found in Rain and Streams in the Mississippi River Basin

[2] “From soil and plant applications of glyphosate herbicide it is expected that a small amount of the applied glyphosate may enter surface waters through runoff or attached to soil particles that wash off treated fields.” Monsanto. 2003. Backgrounder. Glyphosate and water quality. Updated November 2003.

[3] See GM Freeze report Herbicide Tolerance and GM crops – Why the world should be ready to Roundup glyphoste. Chapter 4

[4] See GM Freeze report Herbicide Tolerance and GM crops – Why the world should be ready to Roundup glyphoste. Chapters 2, 3, 5, 6 and 7

[5] Chang FC, Simcik MF and Capel CD, 2011. “Occurrence and fate of the herbicide glyphosate and its degradate Aminomethylphosphonic acid in the atmosphere”. Environmental Toxicology and Chemistry, 30, 548–555

[6] Coupe RH, Kalkhoff SK, Capel PD and Gregoire C, 2011. “Fate and transport of glyphosate and aminomethylphosphonic acid in surface waters of agricultural basin”. Pesticide Management Science, 67, doi: 10.1002/ps.2212

[7] See GM Freeze action Is Roundup Safe?

Reguladores sabiam que o Roundup causa defeitos em seres humanos

Tradução de Luis R. Miranda
05 de junho de 2011

Posso contar as sugestões inúmeras de pessoas que me diziam que usara herbicida Roundup quando estava cortando grama, porque era o único que terminaria com as ervas daninhas. Ervas daninhas, sem dúvida, emergem rapidamente, com toda a chuva que temos aqui em Atlanta! Mas nunca usei.

Um novo relatório foi divulgado hoje que explica que os reguladores da indústria têm conhecido há anos que o Roundup, o herbicida mais vendido no mundo, produzido pela empresa Monsanto, causa defeitos de nascimento.

As conclusões do relatório Roundup e defeitos de nascimento: O público é Mantido no Escuro é que os reguladores sabiam já em 1980 que o glifosato, o produto químico usado no Roundup, pode causar defeitos congênitos em animais de laboratório.

Além disso, a Comissão Europeia conhecia o fato que o glifosato causava defeitos congenitos, pelo menos desde 2002, mas a informação não foi dada ao público.

Os reguladores enganaram o público sobre a segurança do glifosato, diz o relatório. No ano passado, o escritório federal alemão de Defesa do Consumidor e Segurança Alimentar, uma agência do governo alemão que analisou a segurança do glifosato para a Comissão Europeia disse que não havia nenhuma evidência de que o glifosato causara defeitos congênitos.

Don Huber, professor emérito da Universidade de Purdue, escreveu uma carta a Tom Vilsack, secretário da Agricultura dos EUA, pedindo uma moratória para desregulamentar as culturas geneticamente modificadas, que eram imunes ao Roundup, que são comumente chamados cultivos Roundup Ready.

Em sua carta, Huber também se referiu ao herbicida dizendo: “É bem documentado que o glifosato promove patógenos de solo e já está envolvido com o aumento de mais de 40 doenças de plantas, além de desmantelar suas defesas por quelação dos nutrientes vitais e reduzir a biodisponibilidade dos nutrientes nos alimentos. Este, por sua vez, pode causar distúrbios nos animais. ”

Surpreendentemente, um analise do glifosato que seria feita em 2012 foi adiada pela Comissão Europeia, que decidiu no final de 2010 aguardar até 2015 para efetuar uma nova revisão. Além disso, o produto químico não será revisto de forma mais rigorosa até que as regras sejam atualizadas em 2030.

“Nossa análise da evidencia leva à conclusão de que a aprovação do uso de glifosato em Roundup é profundamente errada e pouco confiável”, escreveram os autores do relatório em sua conclusão. “Além do mais, temos aprendido com especialistas familiarizados com a avaliação dos pesticidas e aprovações que o caso da aprovação do glifosato não é incomum.

“Eles dizem que a aprovação das avaliações de muitos pesticidas são baseadas em dados e avaliações de risco que são cientificamente defeituosas”, acrescentam. “Esta é outra razão pela qual a Comissão deve rever urgentemente os ingredientes usados nos agrotóxicos, tais como o glifosato e outros de acordo com os mais rigorosos padrões existentes.”