Democídio: Quando o Governo Mata os seus Cidadãos

Por Luis R. Miranda
The Real Agenda
23 de fevereiro de 2012

Quando alguns livros de história são escritos eles costumam citar ameaças já enfrentada pela humanidade, e muitas vezes falam da guerra, fome, desastres naturais, e assim por diante, mas aqueles que escrevem livros de história sempre esquecem a maior ameaça que os seres humanos têm e da qual existe um conhecimento significativo nos últimos 100 anos. Esta ameaça é Democídio. Democídio é o assassinato de qualquer pessoa ou pessoas por um governo, incluindo o genocídio, politicídio e assassinato em massa. Democídio não é necessariamente a eliminação de todos os grupos culturais, mas sim grupos dentro do país que o governo acredita que devem ser erradicados por motivos políticos e por causa de suas ameaças futuras. Este termo parece ter sido cunhado pelo cientista político RJ Rummel, embora tenha sido aparentemente usado 40 anos antes por Theodore Abel.

Rummel cunhou o termo e isso ajudou a explicar o assassinato explícito dos cidadãos através de métodos que não eram necessariamente inerentes ao genocídio como este era entendido. Isso significava que as pessoas que morriam em ações de Democídio realmente não foram contados como tendo sido mortos pelo governo. Como foi útil a criação deste termo!. O fato de que a sociedade tem uma maneira de medir a brutalidade do Estado ao longo do século passado ou desde antes, facilita ainda mais rever por que os escritores da história não estabeleceram de forma adequada um método para medir os crimes cometidos pelos governos. Aparentemente, os “acadêmicos”, que viviam junto com os governos – em todas as suas formas – não foram capazes de identificar corretamente o assassinato nas mãos do Estado. Coube a um cientista político – o termo é atribuído a Rummel – ou um escritor se atribuído ao livro de Abel “A Sociologia dos Campos de Concentração, as Forças Sociais“, vol. 30, No. 2 (Dezembro de 1951), pp 150-155, ajudar a quantificar o assassinato feito pelo Estado.

Como resultado, nem doença, nem a fome nem a guerra são as principais causas de assassinatos em massa, embora em muitos casos, estas situações são causadas pelos Estados que crescem fora de controle – mais sobre isso mais tarde – mas por Democídio. Então, vamos olhar para a história para ver como um Estado poderoso e fora de controle é capaz de matar não milhões, mas centenas de milhões de seus cidadãos simplesmente porque tinham o poder de faze-lo e como isto tem se transformado na ameaça número um para a sociedade humana. Nenhuma outra ameaça – natural ou artificial – já matou mais pessoas no século 20 e início do século 21.

Não importa quão cuidadosamente procure nos meus anos de faculdade e os cursos que eu fiz em dois países diferentes, não lembro de ter ouvido sobre a palavra Democídio. Eu não tinha sequer ouvido falar que era a principal causa de morte na história da sociedade humana. Embora a contabilidade a seguir mostra apenas o assassinato de humanos pelos Estados nos últimos 100 anos, a história mostra que o Democídio, apesar de sua falta de identificação, tem estado presente ao longo da existência humana. Não conheço nenhum registo guardado que mostre quantas pessoas foram assassinados por seus próprios reis ou faraós. O Democídio é um termo tão novo, que nem sequer é reconhecido pela minha ferramenta de correção ortográfica.

Conservadoramente, Democídio é responsável pelas mortes de pelo menos 262 milhões de pessoas. Estes valores representam as pessoas que morreram principalmente durante o século 20, mas também inclui algumas do século 21. Deixo cada leitor a encontrar uma maneira de colocar esse número em perspectiva, num contexto ou medi-lo em seus próprios termos, a fim de fazer sentido. Neste ponto, vamos caso a caso, a fim de juntar os milhões de pessoas assassinadas pelos seus próprios governos.

Só a China matou 76,702,000 milhões de habitantes nos anos 1949-1987. O país tem por muitas décadas estado sob o domínio do Partido Comunista, que é diretamente responsável pela opressão e assassinato de todas essas pessoas. Alguns dizem que os governantes da China, mesmo mostram o orgulho por seus crimes e estão satisfeitos por eles. Antes de Mao chegar ao poder, os líderes chineses já haviam matado cerca de 3.468.000 de pessoas.

A URSS, no poder em uma região que inclui o que hoje é conhecido como a Rússia é responsável pelo assassinato de 61,911,000 milhões de cidadãos entre os anos 1917-1987.

Colonialistas ocidentais na história recente não escapam a matança de pessoas em numerosas ocasiões. Os poderes que controlam a maior parte do mundo de hoje, que lançou campanhas de conquista do planeta mataram todos os cidadãos nativos dessas regiões e, posteriormente, os seus próprios cidadãos, são responsáveis por um total de 50.000.000 de assassinatos. A maioria deles ocorreram no século 20, mas devido aos acontecimentos atuais, não há razão para pensar que essas forças poderosas não excederam seus crimes no século 21.

No caso da Alemanha, enquanto o país estava sob o domínio de Adolf Hitler entre 1933-1945, o governo matou um total de 20.946.000 de pessoas, a maioria dos quais não eram judeus. Dependendo de qual livro ou enciclopédia é consultado, o número de judeus assassinados pelos nazistas foi de cerca de 6.000.000. Mesmo sendo tão repugnante, o genocídio judaico, não é nada comparado com o genocidio que aconteceu com populações não-judeas sob Hitler.

No caso do Japão, o país viu a maior parte do Democídio durante os anos da monarquia, que foi responsável pelo assassinato de 5.964.000 de pessoas entre os anos 1935-1945.

Enquanto isso, na Camboja, Pol Pot e seu infame Khmer Rouge, que foram escolhidos e financiados pelo governo dos EUA foram responsáveis pela morte de 2.035.000 de pessoas entre 1975-1979. Este número reflete o que era um terço da população cambojana. Talvez estes assassinatos devam ser colocados na comanda dos EUA.

O assassinato de cidadãos por parte do governo turco entre 1909-1918 chegou a 1.883.000. Este número também inclui muitos arménios.

Vietnã quase alcançou o mesmo número de assassinatos, matando 1.670.000 de pessoas entre 1945-1987.

Na Europa, a Polónia também tem o seu próprio abate registado. O governo matou 1.585.000 pessoas entre 1945-1948.

Paquistão tambem não escapa do assassinato de milhões de pessoas. Regimes repressivos que têm governado o país mataram 1.503.000 pessoas entre 1958-1987.

A nação da Jugoslávia principalmente sob o ditador Josip Broz Tito matou pelo menos 1.072000 pessoas entre 1944-1987.

Nas posições mais baixas, mas não menos criminosas na história estão países como a Coréia do Norte, com 1.663.000 de pessoas assassinadas, o México, com 1.417.000 assassinatos e Rússia com 1.072000 outros assassinatos.

Como alguém bem disse, os Governos estão ganhando a guerra contra a humanidade.

É importante explicar que o total conservador de 262,000,000 assassinatos por parte dos governos não inclue as mortes de pessoas que foram vítimas diretas de ações militares, baixas militares. Esse número é cerca de 88 milhões, elevando o total para uns 350 milhões de mortes pela ação do Estado.

Também é muito importante dizer que todos estes assassinatos por governos ocorreram sob a premissa de que tal ação – Democídio – era ilegal. Nenhum governo já havia afirmado que o Democídio, sob quaisquer circunstâncias era correto, moral ou legal. Só que agora o governo dos EUA fez uma coisa dessas. Sob a Lei de Autorização de Defesa Nacional de 2012, o governo dos EUA deu-se o direito legal de matar qualquer um e quantos cidadãos sejam necessários, sob o pretexto da Segurança Nacional.

Se o Democídio ilegal foi capaz de acabar com as vidas de entre 262 e 350 milhões de pessoas em apenas um século, você pode imaginar o que a sua legalização será capaz de alcançar nos próximos 100 anos?

Se você não está chocado ainda, por favor, deixe-me tentar mais uma vez. A contabilidade anterior de assassinatos por governos não inclui operações secretas desses governos, como as campanhas de terror de falsa bandeira, a esterilização, intoxicação com produtos químicos em alimentos e água, assim como doenças desenvolvidas em laboratórios. Isso fica para um outro artigo.

A propósito, a fonte deste artigo é chamado História.