Europa: Do Subprime ao Colapso

POR LUIS MIRANDA | THE REAL AGENDA | AGOSTO 17, 2012

A tempestade, que começou em os EUA pelo menos cinco anos atrás, desestabilizou governos, bancos e financistas de hipotecas.

A explosão da crise das hipotecas subprime em os EUA atinge o seu quinto aniversário com um legado que inclui uma crise econômica mundial que parece interminável: a dissolução do euro quase certa, e, no caso da Grécia, Espanha, França e, provavelmente, Portugal e Itália, entre outros países, a necessidade para buscar socorro financeiro da União Europeia.

Depois de cinco anos, a Grécia já não é propriedade de seu povo, mas dos banqueiros. O país sofreu um colapso total, depois que o alarme disparou em 9 de agosto de 2008. O mesmo aconteceu em Espanha, que passou de ter uma taxa de crescimento de 4% para um valor negativo que deverá ser de 1,5% em 2012. Como em outros países afetados pela dívida soberana, o mercado de ações da Espanha perdeu metade do seu valor — não que isto realmente signifique algo no mundo real — e os lucros das empresas, dependendo de quem você perguntar, tem visto perdas dramáticas.

Quase todos os países da zona do euro têm visto a sua capacidade de endividamento eliminada ou profundamente desgastada, devido à perda de reputação como mutuários de confiança. Isso também tornou mais caro para as nações pagar sua dívida existente, o que colocou o foco sobre os líderes dessas nações. Em resposta ao desafio fiscal, os governos simplesmente decidiram continuar como antes, ou seja, pedir mais empréstimos com taxas de juro mais elevadas, a fim de financiar os sistemas de dependência populares gigantescos dos que são orgulhosamente donos.

Através dos anos, o déficit cresceu, assim como a dívida e os respectivos juros. A bolha da dívida soberana, para usar um termo familiar, está muito mais próxima de explodir em alguns países como a Espanha, onde a incapacidade de pagar a sua dívida é cada vez menor, enquanto continua pedindo mais empréstimos.

A recusa dos governos europeus a agir de acordo com os melhores interesses de seu povo, levou a mais desemprego, mais dívida, menos produção e menos soberania. Na zona euro, a maioria dos países foram rebaixados pelas agências de classificação de crédito, que por sinal foram criadas pelos banqueiros —  Fitch e Moody’s — que resultou no aumento de custos dos empréstimos.

O premium de risco, o índice de confiança dos investidores na dívida soberana de um país, medido pela diferença entre os títulos de um pais, colocados a 10 anos, e os títulos alemães para o mesmo período, foi do total anonimato a se tornar o indicador essencial para todas as economias. Em agosto de 2007, o premium de risco para a Espanha, por exemplo, que é a medida dos custos adicionais exigidos pelos investidores para comprar dívida soberana espanhola em comparação com a Alemanha, foi de 12 pontos. Hoje é de 630 pontos.

Embora a crise do subprime foi originada nos Estados Unidos, onde todos os tipos de sistemas foram criados para fraudar credores, devedores, famílias e fundos de investimento, as ondas de choque rapidamente chegaram à Europa, onde grandes bancos haviam investido — mesmo sabendo — nos mesmos produtos financeiros fraudulentos contaminados com empréstimos subprime.

Um dos gatilhos da crise na Europa foi a suspensão temporária de três fundos de ações pertencentes ao BNP Paribas em 9 de agosto de 2007. Esta medida foi uma consequência direta do desastre das hipotecas subprime nos EUA, onde as empresas investiram o dinheiro dos seus clientes, enquanto o risco era mínimo. Proporcionalmente, de cada $ 100 em risco, $ 97 pertenciam a fundos de pensões, cooperativas de crédito, contas de aposentadoria e investidores médios. Apenas R $ 3 eram dos bolsos daqueles que arriscaram ativos de seus clientes.

Na maioria dos casos, as instituições financeiras norte-americanas nao regulamentadas diversificaram os riscos de empréstimos subprime a traves da securitização, e transferiram-os para outros bancos no mercado de derivativos de crédito. Derivativos são uma forma de produtos financeiros criados artificialmente que têm pouco ou nenhum valor.

A falta de transparência e falta de clareza nos termos dos contratos de derivativos, fez este instrumento financeiro um dos mais atraentes, mas também o mais arriscado. No caso da crise de 2008, os investidores apenas revelaram a possibilidade de obter retornos elevados, mas não o risco em seus investimentos. Assim, pessoas, empresas e organizações viram o seu dinheiro simplesmente desaparecer. Alguém tinha fugido com seu dinheiro.

As supostas securitizações inofensivas envolviam a transformação de um bem ou um direito não-negociável para um pagamento (por exemplo, uma hipoteca) títulos de dívida ou títulos homogêneos, padronizados e abertos à negociação em mercados organizados. As instituições financeiras assumiram o risco por duas razões. Primeiro, porque o dinheiro que estava em risco, era dos investidores e não o seu. Segundo, porque eles sabiam que os governos ofereceriam resgates, como aconteceu desde 2008. A impossibilidade imediata de saber o valor total desses ativos tóxicos e quem tinha sido exposto a eles piorou ainda mais o tsunami que aprofundou a crise para níveis nunca antes vistos.

A infecção causou o colapso dos mercados financeiros e serviu de desculpa perfeita para o Banco Central Europeu (BCE), a Federal Reserve e outros bancos centrais para assumir a liderança e iniciar a maior transferência de riqueza nunca vista na história. Não apenas os bancos escaparam com o dinheiro de investidores, mas eles também estavam prestes a receber resgates financiados pelos contribuintes — ainda em curso — mesmo sendo eles os únicos culpados pelo colapso do sistema existente.

Até agora, os resgates bancários totais atingiram US $ 1 trilhão, e em todos os casos, todo esse dinheiro tem sido dado a pessoas ligadas aos governos e instituições bancárias internacionais. É importante ressaltar que alguns cálculos estabelecem o valor de mercado de derivativos em pelo menos US $ 1 quatrilhão de dólares; um valor que é impossivel de pagar.

Desde o início da crise, e em uma transação feita de forma isolada, o Banco Central Europeu deu $94.841 milhões, um terço a mais do que foi dado aos bancos depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 em Nova York, que somou um total de $69,300 milhoes. Esta mudança significa pouco ou nada, porque as conexões em uma economia globalizada começaram a revelar que os problemas estavam prestes a piorar.

A tempestade, que começou em algumas empresas de financiamento de hipotecas se tornou um vendaval que esmagou governos como os da Grécia, Itália e França, as gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac e os bancos de investimento como o Bear Stearns e Lehman Brothers em Wall Street. Estes dois bancos, junto com muitos outros foram literalmente absorvidos e digeridos por bancos maiores, com dinheiro dos contribuintes, que ajudou aos banqueiros a curar as perdas e ainda ter mais dinheiro para eles pagar os salários exorbitantes de seus CEOs.

A crise chegou a um ponto em que ela arruinou matematicamente quase a todos, se não todos os países desenvolvidos — embora seus políticos digam o contrário — devido à incapacidade das nações de pagar suas dívidas. Sua implosão é apenas uma questão de tempo. Com a Espanha, França e Itália, que são nacoes incapazes de cumprir as suas obrigações e não estao dispostas a buscar políticas fiscais e monetárias sanas, o colapso da zona euro é quase iminente. Como mencionado em artigos anteriores, a quantidade de tempo até a ocorrência do colapso total está nas mãos dos bancos que inicialmente causaram a crise.

A crise financeira e a desconfiança no sistema de crédito levou a uma recessão extensa nos paises desenvolvidos e retardou o crescimento em mercados emergentes como Brasil e China, mas principalmente colocou em perigo a sobrevivência da moeda única europeia. Os efeitos da crise não foram vistos muito em outras regiões do mundo, onde, no entanto, as suas economias já começaram a encolher.

Dívida da Espanha vai aumentar em 23.000 milhões até final de 2012

POR LUIS MIRANDA | THE REAL AGENDA | 12 AGOSTO, 2012

Não estão enlouquecendo. 23.884 milhões de euros é o que a dívida da Espanha aumentará no curto prazo se o país continua a adotar as políticas bancárias europeias. A razão para isto é que o pacote atual de medidas de austeridade e empréstimos prolongará a situação dolorosa do país e levará ao fracasso ao inflar a dívida pública, que crecará mais de 23.000 milhões de euros. É por isso que as medidas tomadas até agora pelo governo liderado por Mariano Rajoy levam a questionar qual será o impacto real de um plano de resgate financeiro do governo espanhol, que atualmente é estimado em 300 bilhões de euros. A resposta é que o impacto simplesmente afundará ainda mais a dívida Espanhola.

Como foi o caso na Grécia, a negociação da dívida, tanto para o sistema bancário como do governo espanhol é apenas uma fachada para estender as perdas e acumular o poder nas mãos da elite bancária, da qual todos somos escravos, de acordo com a mídia corporativa. A dívida acima é a dívida que a Espanha vai ter que arcar para financiar seu governo para o resto de 2012. Mais da dívida será adicionada a esta a longo prazo, se o sistema bancário europeu decide resgatar a Espanha, e por sua vez, tornará impossível saldar suas obrigaçoes.

O total de 23.000 bilhões é algo como 27,8% do montante total previsto para o ano.A esse montante devem ser adicionados vários bilhões a mais em termos de dívida de curto prazo — 3 meses a 18 meses. Se as coisas não mudam muito, a dívida de longo prazo será a taxa mais elevada nos últimos anos, segundo um comunicado emitido pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi.

Na sexta-feira, a dívida do Tesouro colocados em dois, quatro e 10 anos estava em taxas de juros variando entre 4,8% e 6,7%. O Diretor de Estudos da Caixa Catalunya, Ramon Roig, explicou que “a taxa na qual se colocou a taxa de juros é praticamente a mesmo do que a usada no mercado secundário.” Portanto, se a dívida espanhola nesta recuperação do mercado consolida-se (o vínculo de 10 anos situou-se em 7,2%), Espanha vai ter que pagar mais juros. “Definitivamente vai torná-lo mais caro para financiar o empréstimo, o que vai complicar a vida”, disse Miguel Angel Bernal, professor de IEB.

Um total de 1.062.100 mil milhões da dívida foi colocada nesta quinta-feira a dois anos, 4,8% (a anterior foi de 5,3%), com 1,024.4 milhões, devido a quatro anos de 6,1% (em o primeiro foi de 5,6%) e 1.0458 bilhões a 10 anos em 6,7% (anteriormente 6,5%).

De acordo com o Tesouro espanhol em junho (últimos dados disponíveis), havia 611.992.000 de títulos em circulação com uma meia vida de 6,2 anos. O custo médio, de acordo com as mesmas estatísticas, é de 4,1%, um dos mais baixos nos últimos anos.

O Ministério das Finanças confirmou que, como em anos anteriores, não haverá leilão de longo prazo, dado o período de férias em meados de agosto. Então, o próximo teste para o estado é 21 e 28 deste mês, quando a maioria da dívida será colocada para a compra. Essa dívida de curto prazo é mais fácil de colocar junto a investidores, entre outras razões, porque em uma situação hipotética em que você pegar o dinheiro dos credores, uma redução da dívida pode ser deixada de fora, dizem analistas. Isto é o que aconteceu na Grécia.

Miguel Angel Bernal, advertiu ontem que “o momento chave é outubro, porque há muitos vencimentos da dívida.” De acordo com o Tesouro, esse mês vai ver a renovação de mais de 20 mil milhões para o longo prazo e cerca de 5.000 milhões a curto prazo. Além desses prazos, o Estado deve financiar os déficits gerados no mesmo período. “Se você gastar mais do que aquilo que você tem, como uma família, torna-se um déficit e o déficit deve ser financiado, o que geralmente se traduz em mais dívida”, disse Roig.

O Shakedown Político Global será para melhorar?

POR LUIS MIRANDA | THE REAL AGENDA | 12 MAIO 2012

Em todo o mundo, parece haver uma onda de cidadãos detonando seus líderes. Exemplos recentes dessas manifestações de descontentamento com a situação política e econômica começou na Espanha, onde Mariano Rajoy assumiu o volante, que estava diante José Luis Rodriguez Zapatero. Então veio a Grécia, que mudou seu líder, George Papandreou, para Papademos Lucas.

O fim de semana passado, as eleições na França e Alemanha, continuaram a onda de mudanças quando o amigo de Muammar Gaddafi, Nicholas Zarkozy foi deposto como presidente da França. No seu lugar chegou François Hollande. Angela Merkel, sofreu perdas significativas na Alemanha, quando sua coalizão de centro-direita perdeu o poder no estado de Schleswig-Holstein. Ainda esta semana, uma vez que a recontagem seja completada, ela poderia ser uma vítima do que parece ser um mini-terremoto político generalizado na Europa. Nesta região, a única nação que parece ter escapado do ataque tecnocrático é a Islândia, cujos líderes não estavam totalmente nos bolsos dos banqueiros que tomaram grande parte da Grécia, Inglaterra, Espanha, Itália, Portugal e outros países.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, a maioria dos meios de comunicação têm colaborado para selecionar Mitt Romney como candidato republicano à presidência depois de Newt Gingrich e Rick Santorum perceberam que eles não tinham dinheiro suficiente para financiar suas campanhas ou pagar suas dívidas. Ambos Santorum e Gingrich estao pedindo ao milionário Romney para pagar suas dívidas em troca de seus votos e apoio. A maior parte dos ganhos obtidos por Romney vem de suas vitórias no “concurso de beleza” conhecido como os caucus e primárias, permitindo-lhe obter o maior número de delegados não comprometidos entre os candidatos.

Ao contrário das eleições europeias, o sistema eleitoral dos EUA é mais como um concurso, e o candidato só é eleito durante uma convenção nacional do partido. A sabedoria convencional diz que Romney seria escolhido como o homem a lidar com um desajeitado Barack Obama em novembro, e é isso o que mídia e da máquina do Partido Republicano tentou fazer, já que ambos Santorum e Gingrich retiraran-se da eleição. No entanto, no centro de toda a tramóia criada para Romney ser o candidato à presidência, a onda de descontentamento dos EUA parece estar aumentando. Apesar que as bancadas estaduais e muitas primárias foram reportadas como vencidas por Santorum, Gingrich e Romney, os resultados oficiais em vários destes Estados não haviam sido anunciados. Nas últimas duas semanas, pelo menos cinco estados mudaram os resultados anunciados anteriormente. Não foi Romney, Gingrich ou Santorum quem ganharam nesses estados, mas o pre candidato e representante do Texas Ron Paul.

Nevada, Washington, Iowa, Maine e Louisiana estão agora oficialmente na lista de estados vencidos pelo Sr. Paul. Ele também fez progressos significativos em Minnesota e Missouri. Assim, enquanto a campanha de Romney estava desfrutando a sensação de ser inevitável, um grupo de trabalho composto por seguidores de Ron Paul verificaram que seu voto tivesse o peso que devia ter. A campanha do Paul, discretamente procurou um grande número de delegados depois que Romney foi oficialmente “eleito” pelo Partido Republicano para enfrentar Obama em novembro. Com os ganhos recentes, Paul avançou na tentativa de forçar uma solução negociada na Flórida, ao invés de deixar Romney desfrutar de uma vitória facil.

O assunto com todas os protestos políticos na Europa e nos EUA é saber se essas revoltas contra o poder estabelecido pelas corporações que controlam os candidatos tradicionais fizeram ou irão fazer a diferença para algo mais positivo para as pessoas que demitiram seus ex-líderes. No caso da Europa, tem havido pouco progresso, especialmente na Grécia. Depois de George Papandreou — candidato de esquerda — deixou o cargo, o país aceitou o suposto apoio financeiro da União Europeia e adotou um pacote de austeridade duro do governo, cujo único resultado importante foi o aumento dos suicídios políticos. A Grécia está em pior condição do que nunca. A idéia de que um país rico poderia ser capaz de pagar a sua dívida hoje é tão efêmero quanto a garantia de que isso aconteceria antes. Grécia, um dos países ricos da Europa é agora menos capaz de pagar a dívida, o que fez com que o problema da dívida soberana se torne evidente. Nem é a França, Espanha, Portugal ou qualquer outro país europeu parece ter essa capacidade hoje. Assim, para a Grécia, a mudança não tem sido muito boa. Tem sido para pior.

No caso de Espanha, as coisas são muito diferentes. O governo liderado por Mariano Rajoy, segue basicamente a mesma estratégia que Zapatero teve, que é uma economia patrocinada pelo governo. Rajoy, desde sua posse não fez nada para gerar mais receita do que aumentar os impostos. O governo aprovou igualmente programas de austeridade em troca de resgates com aumento do gasto público em programas sociais tradicionais. A saúde financeira da Espanha é pior hoje do que antes, e talvez até pior do que o da Grécia. Além da enorme dívida que está fora de controle, o governo socialista continua a pedir dinheiro emprestado a um custo muito elevado. A taxa de desemprego atingiu 24%, o que causou sérios problemas econômicos em toda parte. Por que a Espanha é pior do que a Grécia? Porque a sua economia é quatro vezes o tamanho da Grécia. A actividade económica em Espanha equivale a quase 12% do PIB gerado na área do euro, tornando-o o quarto maior na Europa e número 10 do mundo. Uma falência espanhola vai causar um terremoto cujas ondas serão sentidas em todo o mundo. Pode até significar o colapso da zona do euro, disseram analistas.

As perspectivas econômicas da França não são muito melhores. Esta situação, combinada com a sede de guerra do Nicolas Sarkozy lhe custou seu trabalho como presidente. Mas o que vai mudar para melhor? Tem o socialismo alguma vez funcionado para  melhorar? A pergunta não é retórica, porque o novo líder da França é um socialista. França perdeu seu rating AAA, se isso significa alguma coisa, enquanto a taxa de desemprego continua a aumentar, mesmo com números inventados ela esta por cima do 10%. O país está agora em uma situação semelhante a Espanha e Itália, afoga-se em insegurança econômica e uma crescente incapacidade de pagar a sua dívida, que é o melhor cartão de visita de um país para inspirar confiança e obter crédito barato. Os resultados desastrosos das políticas econômicas e fiscais de Sarkozy, não levaram ao crescimento, mas ele respondeu com novas propostas para mudar a direção do país. Demasiado pouco, demasiado tarde, muitos dizem que ele perdeu a eleição contra François Hollande pelas mesma razão. Sarkozy queria impor um aumento no imposto sobre o consumo, o que permitiria às empresas negociar mais flexibilidade do horário de trabalho e de remuneração, e esta politica seria consagrada como uma exigência no orçamento equilibrado na Constituição. Suas intenções não ressoaram com os franceses, que também souberam sobre sua conexão secreta com o assassinado líder líbio Muammar Gaddafi.

Talvez o único país que parece melhor é a Alemanha, tanto financeiramente como politicamente. Mas este estado de coisas não pode durar muito tempo. Angela Merkel, também conseguiu assustar o povo alemão. O exemplo mais recente de sua falta de liderança é a perda de apoio, ainda que pequena, poderia começar a moldar o que será a eleição nacional em 2013. Como a Alemanha parece ser o único Estado europeu com uma base mais forte, uma questão diferente se torna o centro da atenção. Conforme relatado pelo jornal Express, o ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, está trabalhando em segredo para criar uma posição de liderança na Europa que combina os poderes da presidência do Conselho Europeu e a Comissão Europeia, deixando o Reino Unido fora do grupo . “Esta é uma conspiração de pessoas que querem abolir os Estados-nação e criar os Estados Unidos da Europa”, disse um dos rivais do grupo secreto. Tory MP Douglas Carswell disse que não importa como os poderes do Conselho e da Comissão estão dispostos, enquanto os tecnocratas que controlam a Europa não tenham a capacidade de ditar em que forma as pessoas devem viver. “Eles não são eleitos e não têm legitimidade.”

Com o ministro grego hipotecando o futuro do país através da adoção de novos programas de austeridade ineficazes e chamando a austeridade de “dever patriótico”, parece não haver uma saída para o país do Mediterrâneo que está agora nas mãos de seus credores. Espanha parece estar caminhando na direção da Grécia, como os seus dirigentes começando a adotar políticas semelhantes de gastos e empréstimos sem criar verdadeiras oportunidades de emprego para o número crescente de desempregados, em particular os menores de 25 anos — agora são chamados de geração perdida. “Esta é a geração melhor educada mas sem nenhuma esperança na Espanha”, disse Ignacio Escolar escritor local. O desemprego juvenil na Espanha atingiu 52% na Primavera deste ano.

Qualquer esperança de mudança reside então nos EUA. Será que os Americanos iniciaram uma “revolução de verão” para continuar a onda de mudanças que é muito necessária, ou será que eles continuaram confiando em seus líderes eleitos pelas corporações ao invés de demiti-los para sempre? Foram os Americanos quem lutaram contra os ingleses pela independência temporária, afinal de contas, certo? Com uma dívida de mais de 16 trilhões e uma taxa de desemprego crescente — cerca de 100 milhões de americanos estão fora da força de trabalho hoje — os americanos terão que escolher entre o modelo da ditadura de dois partidos que tem arrastado eles até o buraco negro onde estão hoje, ou a melhor opção para eles realmente começar uma verdadeira mudança. Uma revolução pacífica contra políticos e corporações nos Estados Unidos pode ser o começo de um despertar em todo o mundo e / ou um aumento na demanda por prestação de contas das pessoas aos seus governos que até agora têm mostrado o nível de conluio com os interesses corporativos.

Alguém tem que acender o fósforo para ascender o fogo.

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