Estamos a Três mutações de uma Pandemia de Influenza

POR LUIS MIRANDA | THE REAL AGENDA | 13 MAIO 2012

A estrada para o inferno está pavimentado com boas intenções. Este é o mínimo que pode ser dito sobre a criação do vírus da gripe mais virulenta H5N1 em dois laboratórios em os EUA e na Holanda. É um caso em que a droga é pior do que a doença. Depois de muita celebração, os cientistas revelaram que suas experiências de mutação do vírus da gripe H5N1 tinham sido bem sucedidas, e os resultados foram obtidos por vários grupos na Europa e América. O que eles não parecem perceber é que os resultados destas experiências, como em qualquer pesquisa científica relevante, devem ser publicados para a comunidade médica e o público. A sua satisfação com os resultados das experiências, ou talvez a sua incompetência, cegou o bom senso, que regressou depois às suas cabeças. Então veio a censura.

Inicialmente, os procedimentos usados para produzir o vírus mutante da gripe aviária foram bloqueados depois que vários avisos foram emitidos pela possibilidade de que terroristas utilizaram os resultados para produzir uma arma biológica e usá-la em cidades com alta densidade populacional. Surpreendentemente, foi exatamente isso o que os cientistas fizeram. Eles criaram uma arma biológica em laboratório confirmaram os resultados reproduzindo eles em diferentes laboratórios, mostraram os resultados aos gestores da comunidade científica e autoridades do governo, e agora os resultados serão publicados para que qualquer pessoa com conhecimento cientifico crie uma pandemia.

O cientista-chefe e virologista Yoshihiro Kawaoka, que trabalha na Universidade de Wisconsin-Madison e na Universidade de Tóquio, confirmou que houve três alterações no gene original do vírus para aumentar a capacidade de “saltar” dos animais para seres humanos. Kawaoka e a sua equipa confirmaram que, após a aplicação de alterações no gene, o vírus pode facilmente ser transmitido entre mamíferos. O resultado final desta pesquisa é a produção de um vírus híbrido, que pode-se espalhar tão rápido quando o ar possa levá-lo ao redor do planeta. Não pode ser mais fácil do que isso, certo? Após a obtenção do novo vírus, os pesquisadores injetaram ele em furões, onde mutações no gene chamadas hemaglutininas – o H do nome do vírus H5N1 – fizeram o resto.

Segundo a pesquisa, uma das mutações observadas no vírus híbrido é semelhante a outra encontrada no vírus que afeta áreas do mundo, como o Oriente Médio, Ásia, Europa e África, onde já matou pelo menos 345 pacientes, mesmo sem ter sido modificado. As mortes são 345 casos notificados como mortes ou complicações do vírus, embora muitos outros casos, foram deixados de fora ou simplesmente não declarados. Os cientistas dizem que o trabalho realizado sobre o vírus H5N1 era necessário para aprender sobre como ele pode evoluir durante uma pandemia. Eles acreditam que após a primeira mutação no Oriente Médio, África e Ásia, o vírus vai continuar a mudar e que suas experiências e resultados podem ajudar a salvar muitas vidas, uma vez que haverá tempo para produzir uma vacina para combate-lo. Alguém vê um interes$e econômico? Este é o $, o perdão, o S no aspecto da saúde que poucas pessoas sabem do experimento. Como se a ameaça que um vírus como este possa ser transmitido para os seres humanos não fosse perigoso o suficiente, o patógeno tem a capacidade de “pular” de humano para humano, como outras cepas de gripe.

O problema com as crises criadas por seres humanos irresponsáveis, como esse vírus híbrido feito em laboratório, é que os cientistas não tem criado a cura para a infecção que provoca um organismo em constante mudança, e só garante que as pessoas terão que usar vacinas e outros medicamentos pelo resto de suas vidas sem ter segurança de estar protegidos. Mesmo a impossibilidade científica de medir se um vírus como o H5N1 tem o potencial para se tornar em uma praga fora de controle ou não, foi suficiente para deter um grupo de cientistas bem financiados antes que eles criaram uma monstruosidade como esta. “Nosso estudo mostra que poucas mutações de aminoácidos são suficientes para fazer um vírus com uma H5 hemaglutinina aviária adquirir a capacidade de se espalhar em mamíferos”, disse Kawaoka.

O estudo de Kawaoka foi publicado na revista Nature. O seu é um dos dois documentos em torno do qual os cientistas, e funcionários do governo e especialistas em biossegurança discutiram antes que os resultados foram finalmente publicados. A maior parte da oposição veio dos EUA e seu Conselho Consultivo Nacional para as Ciências e a Biossegurança, uma organização que protestou contra a publicação por motivos de segurança nacional. Aqueles a favor da publicação dos resultados contrastaram as preocupações de saúde pública com uma declaração dizendo que era essencial compartilhar informações a fim de harmonizar a análise e resposta às epidemias ou pandemias de gripe. Todos os demais, deram um palpite de que os interessados em trocar informações estão mais interessados em manter o fluxo de dinheiro para poder financiar suas pesquisas. Mas os cientistas disseram que era necessário para monitorar o vírus H5N1 e as mudanças naturais e o que elas significavam para a comunidade científica e do público.

Kawaoka ganhou a admiração dos colegas no estilo de uma estrela de rock, uma situação perigosa se analisamos o que o financiamento ilimitado e o gênio fazem quando estão fora de controle. Em 2003, a China culpou diretamente os EUA pela morte de cidadãos chineses que foram infectados com uma estirpe de SARS violenta. Naquela época, a China lançou a idéia de que o vírus da SARS foi o produto de um experimento de laboratório que criou uma arma biológica, um vírus que foi criado para atingir uma raça específica. Outros relatos da mídia tradicional ainda aventuraran-se a especular sobre o vírus H5N1 que Kawaoka e seus colegas produziram em seus laboratórios. Outro cientista, Ron Fouchier, que também publicou os resultados de suas experiências após o governo holandês permiti-lo, anunciou a sua realização na semana passada. Sua experiência será publicada na revista Science em uma data ainda a ser determinado. Como em muitos casos, o governo dos EUA foi o financiador mais importante de experiências realizadas por Kawaoka.

As consequências da criação artificial ou mutação de um vírus são bem conhecidas pela comunidade científica. A pandemia de gripe H1N1 de 2009 foi o resultado de jogos científicos que criaram um vírus híbrido, com um gene hemaglutinina mutante do vírus H5N1 fundidos com os restantes sete genes do vírus H1N1. Naquela época, os cientistas não haviam criado uma cura para a pandemia e a indústria farmacêutica beneficiou-se enormemente, oferecendo uma vacina inútil e perigosa que ainda não tinha sido devidamente testada, e estava relacionada com centenas de efeitos colaterais e reações alérgicas não reveladas pelos fabricantes. Apesar das incógnitas, funcionários públicos e empresas farmacêuticas garantiram a segurança da vacina e justificaram a ausência de ensaios válidos em humanos pelo aparecimento inesperado do vírus H1N1. Os fabricantes de vacinas aumentaram sua renda média de 50 bilhões de dólares por ano como resultado direto da venda de vacinas, que foram compradas pelos governos com dinheiro do contribuinte. Em 2009, os povos do mundo foram mais uma vez sujeitos de experimento realizado sob o pretexto de que era necessário saber qual seria a dose correta para os seres humanos. É importante lembrar que os fabricantes de vacinas são imunes a ação legal se uma pessoa ferida por uma vacina decide processar por danos a sua saúde.

“É realmente um estudo maravilhoso”, disse Richard Webby, diretor de um centro de colaboração da Organização Mundial da Saúde que se concentra nos estudos de vírus da gripe em animais e pássaros no Hospital St. Jude Children em Memphis, Tennessee. A Organização Mundial da Saúde foi uma das muitas entidades que desfilaram ao redor do mundo implorando para que as pessoas usaram a vacina H1N1 para evitar a temida pandemia. Em meados de 2009, os EUA concordou em gastar pelo menos 1 bilhão de dólares na produção de uma vacina contra a gripe, o que me faz perguntar quanto desse dinheiro foi para financiar experiências como as conduzidas pelo Kawaoka e sua equipe.

Embora não mostrou nenhuma prova da sua opinião, Webby disse que as mutações como as que transformaram o vírus H5N1 em uma arma biológica não podem ocorrer na natureza. Claro, ninguém está esperando que o vírus atinja o nível de pandemia virulenta sozinho, sendo que pode ser criado em laboratório por cientistas. Ele disse que o vírus, tal como produzido no laboratório por Kawaoka exige alterações nas funções conhecidas por ser chave para que o vírus da influenza aviária de o salto e seja capaz de infectar os seres humanos. “Estes incluem mudar o tipo de receptores de células que se ligam ao vírus, os receptores que são tipicamente encontrados em pessoas, mas apenas nas profundezas dos seus pulmões, os que são diferentes aos encontrados no trato respiratório superior, onde o vírus da gripe humana se adjunta. ”

Outros cientistas como o Webby vem a pesquisa como uma valiosa peça de trabalho que irá ajudar especialistas no estudo do mecanismo de mutação do vírus, que é mais eficaz quando se estende de mamífero-a-mamífero. Um desses cientistas é Adolfo Garcia-Sastre, virologista especialista em gripe e que trabalha no Mount Sinai Hospital, em Nova York. Apesar de um aviso de cientistas sobre a possibilidade de uma infecção em massa, Garcia-Sastre diz que o vírus não pode tão facilmente ser transmitido entre humanos. Ele acredita que o trabalho ajuda os cientistas selecionar vírus com mutações dos que não têm para estudar e encontrar soluções para uma ameaça de pandemia. Isto é, no entanto, se os cientistas que estudam o vírus tem a intenção de realmente ajudar os seres humanos para evitar a pandemia. O problema com a sua premissa é que o sistema existente para monitorar o comportamento de vírus e outros patógenos é bastante pobre. Essa deficiência no monitoramento cresce exponencialmente quando se considera que as alterações feitas em um laboratório podem passar despercebidas por muito tempo, talvez até o momento em que o vírus é liberados no ar. Em um ambiente de laboratório, onde o dinheiro e o tempo são ilimitados, os cientistas podem resolver as questões pendentes e alcançar qualquer resultado desejado, como fez Kawaoka. Por exemplo, os genes que estão ausentes podem ser adicionados ou removidos para alterar a virulência e tipo de ser vivo no qual o vírus seria mais mortal.

Se algo de positivo saiu desta descoberta científica é o fato de que os cientistas que estudam os vírus da gripe e outros que gostam de brincar de Deus com formas de vida perigosas, tais como vírus e bactérias, estarão diretamente sob o microscópio enquanto criam novas formas de patógenos para pesquisa ou armas biológicas. Richard Webby, acredita que o resultado vai acabar em monitoramento para o tipo de pesquisa feita por cientistas de todo o mundo. “Claro que vai ser mais papelada. Mas no longo prazo certamente será muito mais fácil do que tem até dezembro do ano passado.” Claro, mas que poderia deter um cientista, ou qualquer outro profissional, de mentir sobre os resultados experimentais com a intenção de tornar seu sonho de ser reconhecido ou para obter mais fundos para seu projeto? Basta olhar para a ciência do clima (Climategate, o falso gráfico hockey stick, a elevação do nível do mar), a fim de encontrar uma resposta para esta pergunta. Ou talvez se nós não vamos tão longe, o que pode impedir que uma empresa farmacêutica ou entidade controlada pelo governo realize experimentos a céu aberto? Lembra do  experimento de Tuskegee?

Eu acho que tudo se resume em Confiança. Confiamos nós nossos cientistas sedentos por fama ou empresas farmacêuticas que os contratam, ou governos que experimentaram em seres humanos sem seu consentimento? … e que continuam a fazê-lo hoje?

Organização Mundial da Saúde: Celulares causam Câncer

Enquanto alguns meios de comunicação têm tentado reduzir o âmbito da confirmação, as consequências do uso freqüente e prolongado de telefones celulares são muito claras.

Por Luis R. Miranda
The Real Agenda
01 junho de 2011

A radiação emitida pelos telefones celulares causa câncer. Muitos estudos têm mostrado isto por muitos anos. Hoje foi a vez de a primeira organização globalista, a OMS, a aceitar esse facto. A Organização Mundial da Saúde passou a incluir a radiação emitida pelos telefones celulares como “cancerígena” e coloca esta junto com outros elementos perigosos como o chumbo, gases de combustão e clorofórmio.

Antes do anúncio feito hoje, a OMS havia assegurado, sem a adequada análise de estudos anteriores, que não existiam riscos associados com o uso de telefones celulares. Mas desta vez, o mais recente estudo apresentou evidências de modo tão claro e inegável, que a organização teve de emitir uma declaração aceitando que a radiação contínua de telefones móveis tem tudo a ver com o desenvolvimento de câncer no cérebro.

O último estudo envolveu 31 cientistas de 14 países incluindo os Estados Unidos, que decidiu participar depois que cientistas analisaram os resultados de estudos anteriores e perceberam a magnitude do problema. “A equipe encontrou provas suficientes para classificar a exposição pessoal como” possivelmente cancerígena para os seres humanos. ”

O que isto significa é que neste momento não ha suficientes estudos de longa duração feitos para chegar a uma conclusão clara se a radiação de telefones celulares é segura, mas há dados suficientes para mostrar uma possível conexão sobre a que os usuários devem ser alertados.

“O maior problema que temos é que sabemos que a maioria dos fatores ambientais requerem de várias décadas antes de que a exposição mostre consequências”, disse o Dr. Keith Black, diretor de neurologia do hospital Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles.

Segundo o estudo, a radiação emitida por celulares é chamada de não-ionizante. Isto significa que a radiação tem um efeito como um microondas de baixa potência e não como um raio-X, que expõe aos humanos a uma alta concentração de radiação por um curto período de tempo.

“O que a radiação do telefone faz em termos mais simples é semelhante ao que acontece com o alimento no microondas; essencialmente cozinha o cérebro. Assim, além de que conduz ao desenvolvimento de câncer e tumores, poderia criar uma série de efeitos negativos sobre a função cognitiva da memória, porque os lobos temporais estão localizados exatamente onde colocamos os telefones celulares. ”

Após as conclusões dos estudos recentes, as recomendações de cautela no uso de telefones celulares não tardaram em vir, assim como aconteceu outras vezes, mas muitos não têm dado a atenção necessária e continuam a usar os telefones celulares.

O estudo das conseqüências do uso do telefone celular tem produzido resultados que são similares a aqueles que mostram a malignidade do uso de tabaco, por exemplo. A Agência Europeia do Ambiente fez e continua conduzindo estudos que mostram que o risco do uso do telefone celular pode ser tão grande quanto o tabagismo para a saúde do usuário e os que estão ao redor. Esses estudos também compararam os efeitos da exposição à radiação com outros elementos como o amianto e a gasolina com chumbo. Nos Estados Unidos, o diretor de um instituto de pesquisa de câncer da Universidade de Pittsburgh, manifestou a sua preocupação e pediu que os trabalhadores limitem o uso do telefone celular.

“Quando olhamos para o desenvolvimento do câncer – particularmente câncer no cérebro – este é conhecido por levar muito tempo para se desenvolver. Eu acho que é uma boa idéia dar ao público uma espécie de aviso de que a exposição prolongada à radiação do telefone celular pode causar câncer, “disse o Dr. Henry Lai, professor de pesquisa em bioengenharia da Universidade de Washington, que estuda radiação há mais de 30 anos.

Os resultados do maior estudo internacional sobre o uso de telefone celular e sua relação com o desenvolvimento do câncer foi iniciado em 2010. O principal resultado do estudo mostrou que, quando os participantes usaram um telefone celular por 10 anos ou mais, a taxa de glioma cerebral dobrou. O glioma cerebral é um tipo de tumor. Apesar deste resultado, nem as autoridades de saúde nem as universidades realizaram estudos para determinar os efeitos do uso do celular em crianças, que é o grupo da população com o maior aumento no uso de telefones celulares. Em teoria, distúrbios cerebrais em crianças poderiam ser maiores, porque seus crânios não estão totalmente desenvolvidos, o que poderia contribuir a uma maior exposição à radiação do tecido cerebral.

“Os crânios das crianças e o couro cabeludo são mais finos. Assim, a radiação pode penetrar mais profundamente no cérebro de crianças e adultos jovens. Suas células se dividem mais rapidamente, de modo que o impacto da radiação pode ser muito maior. ” disse em um comunicado o Centro Médico Black Cedars-Sinai.

Apesar de que alguns fabricantes de celular têm alertado os consumidores sobre as consequências do uso excessivo de telefones celulares e como eles devem estar longe de seu corpo quando não estao em uso, a realidade é que o avanço tecnológico da sociedade faz quase impossível parar de usar telefones celulares ou mantê-los longe do corpo. Mais e mais empresas criam aplicações e programas, as pessoas se tornam mais e mais dependentes das redes celulares e outras sem fios. Assim, a tendência é que as pessoas continuem a usar os telefones celulares. Portanto, as advertências dos fabricantes de telefones sobre os riscos que o uso dos equipamentos tem, é como as advertências dos fabricantes de cigarros sobre como fumar é perigoso para a saúde. Ambas industrias sabem dos perigos, mas continuam fabricando os seus produtos.

Com o número de assinaturas de celular atingindo cinco bilhões no mundo inteiro, não é difícil visualizar a epidemia de câncer que a humanidade terá de enfrentar nos próximos anos.

Agroindústria Ameaça a Segurança Alimentar

Por Luis R. Miranda
The Real Agenda
13 de maio de 2011

Pessoas desinformadas tendem a dizer que o crescimento populacional é a maior ameaça do século 21, especialmente no que se refere à disponibilidade de alimentos. Embora o acesso à alimentação é uma das questões mais importantes que a humanidade enfrenta hoje, o “problema alimentar” tem tudo a ver com a qualidade do mesmo e nada a ver com a escassez devido à superlotação do planeta. O mundo mudou em muitos aspectos ao longo dos últimos cinquenta anos e muitas dessas mudanças foram para o bem, mas muitas delas foram para pior. No passado, a maioria dos países produziam seu próprio alimento e as pessoas eram independentes para se alimentar. Hoje, um punhado de corporações controlam todo o processo de produção e distribuição de sementes e alimentos. Com relação à oferta de alimentos, talvez haja uma conseqüência pior do que as práticas e políticas monopolistas: Alimentos que devem nos dar a nutrição que precisamos realmente estão nos adoecendo e nos matando lentamente.

No Reino Unido, uma bactéria chamada de Campylobacter provoca diarréia, febre, dor abdominal e cãimbras. Muitas vezes, esses efeitos se agravam e causam doenças crônicas e a morte. Estima-se que 85% das aves no Reino Unido estão infectadas. Enquanto isso, nos Estados Unidos, o norovírus, que é transmitido através da manipulação de alimentos com as mãos sujas, bem como a Salmonella, que infecta as pessoas que comem alimentos com fezes, causam vômito, diarréia, febre e cãimbras. Estes são apenas dois exemplos de má gestão de alimentos que acontecem no chamado ‘mundo desenvolvido’. Mas é ainda pior em países do terceiro mundo onde as normas sanitárias para alimentos são menos claras ou são simplesmente ignoradas pela indústria de alimentos.

Na China, por exemplo, a contaminação dos alimentos com melamina causou a morte de seis bebês e adoeceu 300.000 pessoas em 2008. A contaminação ocorreu quando a melamina, um produto químico industrial, foi introduzido no leite. No “mundo desenvolvido”, a Alemanha teve o seu próprio caso de intoxicação alimentar em massa por dioxina em cerca de 4.000 fazendas em todo o país. Uma empresa alemã vendeu 200.000 toneladas de ração animal contaminada com dioxina e este alimento foi dado a milhares de animais. As dioxinas são substâncias tóxicas que causam câncer.

Embora não haja nenhum processo formal de registro de casos de intoxicação alimentar e outras ameaças à saúde feitas sobre alimentos contaminados, os dados disponíveis mostram que a contaminação dos alimentos é um problema comum na maioria das nações. Mesmo os países que conseguem ter o seu próprio sistema para manter os alimentos livres de produtos químicos não podem impedir que bactérias e vírus envenenem em massa os seus cidadãos. Em Singapura, 3 milhões de pessoas morrem anualmente de intoxicação alimentar.

Impróprios para o consumo

Uma avaliação recente publicada pela GRAIN, uma organização internacional sem fins lucrativos que fornece informações sobre questões de segurança alimentar em todo o mundo -se um alimento é adequado para comer ou não- descreve uma série de razões a considerar na determinação da segurança alimentar. “As más práticas (falta de higiene, abuso de animais, o uso e abuso de antibióticos e pesticidas), as tecnologias de alto risco que não foram devidamente testadas (manipulação genética, a nano tecnologia, a irradiação, a clonagem), contaminação intencional (manipulação, por exemplo) ou simplesmente má supervisão” são apenas algumas das razões pelas quais os alimentos chegam contaminados à sua mesa. É por isso que existe preocupação sobre a segurança alimentar e o tamanho das empresas que produzem alimentos para os consumidores. É um fato que o sistema de alimentos industrializados que regulamenta a produção e distribuição de alimentos é a principal causa de contaminação dos mesmos. Tem tudo a ver com o tamanho. Se um pequeno produtor de carne ou de verduras fornece alimentos contaminados, o impacto é pequeno, mas se uma grande empresa que produz e distribui alimentos em todo o mundo gerencia seus processos mal, o resultado é que centenas de milhares de pessoas ficarão doentes e muitos outros morrerão como resultado de alimentos contaminados.

A produção em grande escala é uma das principais causas de intoxicação alimentar em massa. Não somente as regras são mais difíceis de aplicar quando uma empresa produz grandes quantidades de carne, grãos ou embalados, mas também é provável que as empresas não estão preocupadas com a implementação de práticas que garantam a boa higiene e segurança no trabalho. A quantidade de produtos que entra e sai de uma fábrica de embalagem de carne ou uma instalação de processamento de grãos faz com que seja quase impossível fiscalizar cada item. As políticas que regem grandes unidades de produção são: receber, embalar e transportar o máximo de produtos possível, o que garante mais lucros.

Onde estão os reguladores?

Em uma frase, os reguladores do governo são normalmente cúmplices de “Big Corp”; as grandes corporações. Não é realista acreditar que os burocratas que supervisionam a segurança alimentar não estão conscientes dos problemas com a produção e distribuição de alimentos, embora esta geralmente é a desculpa dada por eles e pelo governo para justificar a sua inação. Há muitas evidências de que as agências de governo e as empresas estão em constante negociação para evitar a aplicação das leis que protegem os consumidores. Quase todas as novas leis que são aprovadas sobre segurança alimentar abrem novas portas para que a indústria de alimentos encontre atalhos e saídas a qualquer lei que governa a produção de alimentos. Tomemos por exemplo o caso do leite cru. O leite é processado por pasteurização e homogeneização em todo lugar. Os países que ainda não proibiram a venda e o consumo de leite cru estão atualmente trabalhando na legislação para fazer isso. O processamento do leite é necessário, os governos e as empresas dizem, para evitar a ingestão de bactérias que possam existir quando o leite está cru. No entanto, também é verdade que a pasteurização e homogeneização acabam com todos os nutrientes que o leite cru tem. Alguém falou em pandemia de deficiência de cálcio e osteoporose? Claro que as grandes empresas farmacéuticas produzem medicamentos para tratar estes problemas. Não é?

O leite cru é uma das mais importantes fontes de nutrição para pessoas pobres em todo o mundo. É uma das poucas fontes disponíveis de nutrição e pode facilmente ser fervido em casa para garantir a sua segurança. Então porque é que os governos têm leis ou regulamentações que proíbem o leite cru? Estas regras são criadas e impostas pela Organização Mundial do Comércio, uma instituição que trabalha para o cartel internacional que controla a maior parte da produção e distribuição de alimentos. Outros motivos frequentemente invocados para justificar a proibição da venda de leite cru é a idéia de que vai ajudar a modernizar a indústria de laticínios, que por sua vez, se beneficiaria, pois as empresas seriam capazes de competir com a importação e exportação de outros produtos. Nada disso é verdade. A verdadeira razão é que os países membros da OMC são obrigados a aderir às suas normas se eles querem a oportunidade de participar nos chamados Acordos de Livre Comércio. Os acordos de livre comércio são ferramentas utilizadas pelas empresas para acumular o controle sobre a maioria, se não todas as atividades produtivas. As políticas que regem a produção de alimentos têm pouco a ver com a saúde pública e tudo a ver com o controle total dos mercados, monopólios e dominação corporativa.

Os acordos de livre comércio são a incorporação de controles monopolistas empreendidos por organizações multilaterais -em nome de “Big Corp”- em rodadas de negociação realizadas com freqüência em um país ou na sede da OMC e determinam as regras sobre a produção de alimentos desde o ponto de vista comercial. Nada nesses acordos está relacionado à ciência e à acessibilidade dos alimentos. Mundialmente, as empresas cada vez mais determinam o que é permitido como prática para a produção e manuseio dos alimentos e o que é proibido. GRAIN cita os casos de empresas que alimentam as vacas com partes de animais como uma forma de fornecer proteína. Esta prática, em muitos casos, leva à doença das vacas loucas, mas ainda é permitido em países como os Estados Unidos e o Japão. Outro caso é o da ractopamina, uma substância dada aos porcos para promover o crescimento. Este item é adicionado aos alimentos. Em um raro exemplo de segurança alimentar, países como a China e regiões inteiras como a União Europeia, que juntos produzem cerca de 70 por cento do fornecimento mundial de carne suína, proibiram seu uso em carnes. Outros países como os EUA continuam usando ractopamina na alimentação fornecida aos suínos, perus, galinhas e vacas. O governo dos EUA não só permite a sua utilização, mas também defende o produtor de ractopamina, Eli Lilly, e luta contra qualquer governo ou organização que tente banir suas exportações de carne. Não são apenas os consumidores dos EUA que estão contaminados com este produto químico, mas também todas as pessoas em todos os países que aceitam carne de porco, peru e frango dos EUA.

Acordos de livre comércio como instrumento para impor regulamentações corporativas

Nas últimas três décadas, os acordos tornaram-se as ferramenta de moda usadas pelas grandes corporações e credenciadas pela Organização Mundial do Comércio e a Organização Mundial da Saúde para impor as suas regras e realizar o seu jogo. Tudo começou na década de 80 com as negociações conhecidas como GATT. Depois, vieram os acordos de livre comércio entre a Europa e os países latino-americanos e outros entre América do Norte e países da América Latina, como a ALCA, CAFTA e NAFTA. Contidos nos referidos acordos existem todos os tipos de truques escritos para permitir que as corporações manipulem e, finalmente, controlem os mercados. Isso ocorre porque há pouca proteção em relação ao que pode ser comercializado e como esse comércio deve ocorrer. O objetivo comum que todas as negociações anteriores tiveram era promover o intercâmbio de mercadorias com custos de produção mais baixos para oferece-las por menor preço. Isso seria bom se estas mercadorias não fossem produtos e alimentos contaminados, produzidas violando interminavelmente as leis trabalhistas e os trabalhadores para que um punhado de corporações conquistem os mercados mundiais e ditem o que é produzido, vendido, comprado, quais as taxas e encargos aplicados e para que elas “protejam” tudo, mesmo aquilo que não é delas, contra o “roubo” através de leis absurdas de propriedade intelectual que são anexadas a todos os acordos comerciais.

Os acordos de livre comércio não têm nada a ver com o livre comércio para benefício dos consumidores ou para permitir a existência de agricultores de pequeno e médio porte. As empresas que controlam os governos querem um passe livre para invadir todos os mercados e produzir tudo o que comemos e usamos, de modo que todos os outros sejam dependentes de produtos cultivados e produzidos no outro lado do mundo para a sua sobrevivência . Estes acordos não fazem nada para promover ou garantir a segurança alimentar e a saúde pública, mas para garantir o crescimento ilimitado das corporações e as suas margens de lucro. Estas empresas criam monopólios de mercado através da implementação de políticas que, embora inexplicavelmente ridículas, são aceitas como padrões em todo o mundo. Estas políticas têm sido adaptadas para limitar a concorrência leal em todos os países de uma forma que apenas os países onde as grandes corporações tem interesse estão autorizados a entrar em mercados competitivos.

A União Européia proibiu a importação de peixes provenientes da Índia, porque os produtores não cumpriam as normas europeias, como a limpeza e desinfecção das instalações com água potável, apesar do fato de que a Índia não tem infra-estrutura para fornecer água potável para a maioria da sua população. Na Tanzânia, os pescadores tiveram a mesma experiência. Eles recolhiam 80 por cento das suas receitas da venda de peixe na Europa, mas depois que a União Europeia proibiu o produto, os pescadores perderam seu mercado. Uganda também sofreu um resultado semelhante, que custou ao país $ 40 milhões em perdas. E como os europeus conseguiram comer peixe? Empresas como a Pescanova se mudaram para a África e começaram a servir o mercado europeu. Uma vez instalado no continente, a empresa adquiriu todas as empresas de produção e distribuição.

O caso dos organismos geneticamente modificados (OGM)

O que poderia ser mais perigoso para comer do que os organismos geneticamente modificados que provaram prejudiciais aos seres humanos e animais. Independentemente das provas que mostram os perigos para a nossa saúde, agências governamentais de todo o mundo continuam a permitir a utilização de ingredientes geneticamente modificados em alimentos. Não só isso, mas também se recusam a rotular produtos que contenham OGM, alegando que é injusto para as empresas que os produzem e que seria confuso para os consumidores. No caso do salmão transgênico, por exemplo, a indústria do salmão diz que o produto não pode ser rotulado porque seu produto é idêntico ao salmão selvagem. O mesmo é verdade para outros produtos básicos como milho, soja, leite e vegetais. A idéia de que um consumidor informado é a melhor ferramenta para fortalecer os negócios e os mercados não parece ser bem acolhida pelas empresas. Para eles é melhor um grupo de consumidores com pouca informação. Assim, elas podem impor suas práticas desonestas. Uma informação revelada pelo Wikileaks mostra como o governo Bush pressionou o governo francês para aliviar as suas preocupações sobre os organismos geneticamente modificados:

“Analisar formas de retaliar contra a União Europeia e [a aceitação dos transgênicos] é uma responsabilidade colectiva e estas represálias incidirão sobre os que mostrem oposição.” A lista de retaliação deve ser medida ao invés de viciosa e deve ser sustentável no longo prazo. Não devemos esperar uma vitória rápida. “

A campanha para impor o uso de organismos geneticamente modificados é um exemplo claro de como as grandes corporações exercem o seu controle sobre os governos para que gigantes como Monsanto, DuPont, ConAgra, Cargill e outras empresas de biotecnologia não tenham interrupções nos países que querem proibir sementes ou alimentos geneticamente modificados ou exigir que os rótulos informem os consumidores. Junto com a França, as corporações que controlam o governo dos EUA também ameaçam a soberania dos países do terceiro mundo que não têm voz nem voto nas práticas sanitárias utilizadas na produção, importação e exportação de produtos na sua própria terra. Mesmo como acontece nos países desenvolvidos, as nações do terceiro mundo também são ordenadas a “relaxar” a sua oposição às culturas geneticamente modificadas e remover qualquer “exagero” dos riscos que vêm com o uso e consumo de OGM. Com a criação e implementação do Codex Alimentarius, as grandes corporações ficaram ainda mais fortes. O conjunto de regras contidas nos documentos do Codex Alimentarius deixa claro que nem as empresas nem as agências transnacionais em matéria de segurança alimentar e saúde em todo o mundo estão interessadas ​​em seres humanos saudáveis ​​e alimentos seguros. Na verdade, através do Codex Alimentarius, as empresas procuram controlar os mercados de alimentos naturais e suplementos, proibindo a produção e comercialização de alimentos naturais e substituindo-os com produtos farmacêuticos rotulados como “suplementos naturais.”

O Codex Alimentarius é a Frankenciencia das Nações Unidas e Organização Mundial de Saúde para forçar restrições sobre o que podemos comer. Desde a década de 1960, estas organizações tem se esforçado para limitar as escolhas dos consumidores para cuidar da sua saúde e para restringir o acesso aos alimentos como os conhecemos hoje. Codex Alimentarius (Codex) significa “código de alimentos”. Este código mundial de alimentos é uma agência das Nações Unidas, co-patrocinada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização para Alimentação e Agricultura (FAO). Existe há quase 50 anos e seu status internacional dá uma missão comum: proteger a segurança alimentar e promover o comércio mundial de alimentos. Isto esta sendo feito através da adoção de orientações de caráter voluntário e regras ali contidas pesaram (a definição de alimentos no comércio internacional) nas suas decisões executadas através da Organização Mundial do Comércio (OMC), que considera as suas orientações e normas como prova presuntiva nas disputas entre países ou entre países e corporações. Codex, em seguida, tornou-se uma criatura dos Grandes: Grandes Governos, Grandes Agronegócios e Grandes Farmacêuticas.

Para entender o que é o Codex Alimentarius, deve ser entendido que não tem nada a ver com a proteção do consumidor. A ideia de que esse e o caso é apenas uma frase cativante para que os povos e nações aprovem a sua execução. “Codex Alimentarius” significa “regras de comida” em latim. O plano nasceu em 1962 quando a Comissão do Codex Alimentarius (CAC) foi fundada pela Organização das Nações Unidas para supostamente facilitar as relações comerciais. Na verdade, foi criada para regular e controlar o modo como o alimento é produzido, a nutrição gerenciada, como os produtos são vendidos para as pessoas; é tudo sobre os lucros das corporações multinacionais. A relação é muito simples: quanto mais as pessoas usam produtos naturais, menos os benefícios que as empresas farmacêuticas recebem. Codex Alimentarius foi criado para proteger os lucros das grandes empresas farmacêuticas, através da eliminação de produtos de saúde e tratamentos naturais. O que é mais preocupante agora é que o Codex foi aprovado em 31 de dezembro de 2009. Depois que o plano foi assinado, foi forcado sobre todos os países membros através da sua aprovação pelos parlamentos locais, assim como aconteceu com o Tratado de Copenhague.

Superbactérias em Agronegócios

Superbactérias são bactérias que desenvolvem a capacidade de lutar contra os antibióticos. Exemplos de superbactérias apareceram pela primeira vez na Europa na década de 60 e desde então se espalham livremente por todo o mundo. Nos Estados Unidos, as mortes por infecções por MRSA atingiram 17.000 em 2005. Uma pesquisa de 2007 constatou que ST398, uma nova versão do MRSA, estava presente em 39% dos suínos e 81% das fazendas suinícolas locais nos Países Baixos. Outras pesquisas revelaram que o MRSA é encontrado em pelo menos dois terços das fazendas localizadas nos países membros da União Europeia. Em estudos europeus, os pesquisadores descobriram que a Espanha e a Alemanha estão entre os países com maior incidência de MRSA em suas fazendas. Mais de 40% dos suínos que foram testados deram positivo por MRSA. É por isso que não é nenhuma surpresa que os europeus enviam a maior parte da carne de porco ao exterior. Segundo a Universidade de Guelph, um estudo de suínos em Ontário, no Canadá, mostrou que a ST398 esteve presente em um quarto dos suínos locais, em um quinto dos suinocultores que foram testados.

A capacidade de uma superbactéria para resistir a antibióticos, como ocorre em seres humanos, acontece devido ao uso intensivo deste produto. Segundo a União dos Cientistas Preocupados, o gado nos Estados Unidos consome cerca de 80 por cento dos antibióticos vendidos no país. Enquanto isso, na China, o número chega a 50 por cento dos animais. Um relatório de fevereiro 2011 no Sydney Morning Herald revela que, na Alemanha, os bovinos são injetados com três vezes mais antibióticos que os seres humanos. A existência e proliferação de bactérias resistentes a antibióticos em fazendas industriais é a principal causa dos casos de intoxicação alimentar, que são estimuladas pelo abuso de antibióticos administrados aos animais.

A Walmartização dos Alimentos

Se Monsanto, ConAgra, Cargill e outros gigantes da biotecnologia são conhecidos por seu desejo de conquistar o mercado de sementes e alimentos, o Wal-Mart pode ser visto como o equivalente quando se trata da moda dos Supermercados. Os alimentos que são vendidos hoje passam diretamente através de “ligações” feitas pelas grandes cadeias de supermercados. Longe estão os dias quando o produtor vendia suas maçãs, bananas, abacaxis e cenouras. Hoje, as corporações transnacionais, como Wal-Mart e Carrefour controlam o fornecimento de alimentos em muitas partes do mundo. Estas empresas não só transportam e distribuem os alimentos que ingerimos, mas também decidem o que produzir e o que não, quando os produtos são vendidos, quando são enviados e quais são os preços que terão quando você compra no supermercado local. As grandes cadeias de supermercados, realmente, controlam os mercados mundiais de alimentos.

As vendas anuais da Wal-Mart alcançam atualmente 405 bilhões de dólares, que é mais do que o produto interno bruto da Argentina, Noruega, Grécia e Dinamarca. O sucesso que este número revela levou a mais cadeias de supermercados para colocar os olhos sobre as regiões do mundo que podem funcionar tanto como um local de produção, ou como um lugar onde elas podem monopolizar a produção e distribuição de alimentos, ou garantir a compra de alimentos produzidos a preços muito baixos e respeitando as suas próprias diretrizes. Grandes varejistas como Tesco, Wal-Mart, Carrefour e Lotte estão comprando ou negociando operações na Índia, China, Brasil e Indonésia. Essas e outras nações do Terceiro Mundo ainda dependem de vendas porta a porta, vendas de rua, cooperativas locais e atacadistas regionais para a alimentação de sua população. O que os supermercados querem fazer é ir e comprar o seu caminho no mercado através da assinatura de contratos com produtores, distribuidores e supermercados locais para controlar a produção e distribuição de alimentos. Uma vez que eles conseguem absorver os mercados, as grandes redes impõem seus próprios modelos e estabelecem as mesmas normas e regras que têm aplicado em outros lugares. A conseqüência direta e imediata dessa prática é o início de uma nova linha de consumidores dependentes que não serão mais capazes de plantar, colher ou vender seus alimentos. Dependência é o nome do jogo.

Como se a existência de uma cadeia de supermercados poderosa não fosse ruim o suficiente para o consumidor, essas grandes corporações também funcionam como um cartel. Elas decidem juntas quais são as regras para a indústria. Como Barry Harper disse em seu livro “Quebrando a Cadeia: O Caso Antitrust contra a Wal-Mart”, a potência e o tamanho das empresas são duas das muitas armas que elas têm para influenciar o sistema alimentar global. Imagine o que podem conseguir trabalhando em conjunto contra um país, um supermercado ou pequenos agricultores do terceiro mundo. Essas empresas têm o poder e a capacidade de ditar aos fornecedores, produtores e processadores de alimentos as regras do jogo. O poder das empresas de alimentos é tão importante que os governos são capazes de colocar os seus lucros em primeiro lugar e a saúde das pessoas em segundo, quando se trata de segurança alimentar. Um exemplo é a proibição imposta pelos EUA contra melões mexicanos por causa da contaminação por salmonela em 2002. Depois de uma rodada de negociações entre os governos dos dois países, que, naturalmente, teve a participação das grandes corporações, a proibição foi levantada após a criação de um programa novo, juntamente com uma nova burocracia. A criação deste novo conjunto de regras não fez nada para garantir a segurança dos melões, porque os agricultores não respeitaram as regras com relação a limpeza, análise da água e outros assuntos conforme solicitado pelo novo programa. De fato, 94 por cento das fazendas não têm banheiros portáteis e 88 por cento deles usam água de rios para abastecer suas plantações.

A eliminação dos agricultores

A colonização agrícola do mundo por um punhado de corporações parece ter o mesmo denominador em todos os lugares: o desaparecimento do agricultor. Supermercados gigantes têm muitas maneiras de forçar a sua presença em novos mercados ou aumentar a sua participação nestes mercados. A invasão de grandes supermercados no hemisfério sul faz dos países em desenvolvimento as fontes de alimento para o resto do mundo e, em muitos casos, faz com que essas regiões dependem da capacidade da cadeia de supermercados e a disponibilidade dos seus alimentos para alimentar as populações. Porque as grandes cadeias de supermercados têm a prerrogativa de decidir quanto pagar pelos alimentos que compram e os produtores devem seguir as normas, prazos de entrega, processos de distribuição e assim por diante. Por isso, é fácil para eles manipularem os mercados locais, regionais e nacionais. Mas, quando estes grandes supermercados não conseguem o que querem, são capazes de importar frutas e legumes de todo o mundo a fim de destruir os concorrentes. Muitas vezes, grandes cadeias de supermercados utilizam publicidade enganosa para manter ou aumentar o fluxo de clientes em suas instalações. Por exemplo, quando Wal-Mart invadiu a América Central ao comprar cadeias alimentares locais, a empresa decidiu manter o nome original pelo fato de que Walmart era conhecido nesses lugares por sua má reputação no exterior.

O que esse tipo de deturpação permite é manter o controle da oferta e da demanda de alimentos usando nomes diferentes. Esta prática dá tempo suficiente para resolver e absorver o maior número de clientes até que eles decidam identificar-se. Mas o controle dos mercados de alimentos não é apenas uma vitrine. As grandes cadeias de supermercados não têm sequer que se estabelecer em um país para controlar a oferta de alimentos. Elas solicitam e fecham alianças com produtores e distribuidores no exterior, assim que a empresa do setor alimentar é monopolizada localmente. Uma cidade inteira ou um país pode enfrentar falta de arroz ou feijão, por exemplo, não porque não estão disponíveis, mas porque eles estão estocados em armazéns que pertencem a grandes supermercados onde esperam para ser enviados para o estrangeiro ou onde paguem o preço que os supermercados querem. Como é que essa prática afeta os agricultores? Embora o preço que os agricultores recebem pelos seus grãos, frutas ou legumes pode ser considerado justo, em muitos casos, os próprios agricultores poderiam ter obtido maiores lucros se tivessem vendido seus produtos para compradores locais ao invés dos supermercados transnacionais. A escassez artificial que as empresas de alimentos causam ao armazenar o alimento até que alguém decida pagar o que eles querem é o que facilita a manipulação de preços, tornando mais difícil para as pessoas se alimentarem e as suas famílias. Além disso, alguns agricultores se tornam reféns das promessas de futuras compras enquanto esperam para receber o pagamento das vendas atuais feitas para as redes de supermercados internacionais.

Em muitos países da Ásia e da América Latina, os agricultores não têm dinheiro para iniciar uma nova estação de plantio porque o pagamento recebido não atende aos novos custos, ou, simplesmente, porque obtêm pouco lucro. Quando as grandes cadeias de supermercados não estão explorando os agricultores locais, as redes de supermercados locais assumem esse papel. A forte concorrência que as cadeias nacionais ou regionais tem contra as corporações transnacionais faz com que elas se tornem predadores. A competição é tal que as empresas nacionais que foram parceiras no passado, de repente, adotam o mesmo modelo das grandes empresas e fazendeiros transformando os agricultores em um grupo de trabalhadores agrícolas colonizados. Este é o caso de ShopRite da África do Sul e DMA no Brasil.

“Na China, onde os supermercados estão se expandindo a um ritmo rápido, essas tendências são ainda mais profundas. Grandes cadeias de supermercados, tanto estrangeiras como nacionais, estão trabalhando em estreita colaboração com os fornecedores e os governos locais para desenvolver fazendas que fornecem frutas e legumes. Como parte de uma campanha para melhorar a segurança alimentar e a integração de 700 milhões de pequenos agricultores na “cadeia alimentar de alto valor” com “métodos científicos de agricultura”, o governo chinês vem buscando a criação de mercados de frutas e legumes em parcerias com o setor privado. Em cada uma dessas áreas de produção, autoridades locais negociam acordos com empresas privadas por meio dois quais as empresa entram, ficam com um pedaço de terra e fazem com que os agricultores que eram donos, agora deslocados, sejam a mão de obra barata.”Relatório da Segurança Alimentar, 2011 GRAIN

Não temos que comer da forma ditada pelas grandes corporações

O movimento para rejeitar firmemente as políticas de segurança alimentar atuais e do modelo de negócios que as empresas impõem aos consumidores é um motivo de esperança. América produz carne que não é aceita pelas pessoas em Taiwan, Austrália, Japão ou Coreia do Sul. A intoxicação por melamina na China acordou milhares de pessoas neste país e no estrangeiro milhões rejeitam o leite contaminado da China. Na América Latina, Europa e partes dos Estados Unidos, cada vez mais pessoas questionam o atual sistema industrial utilizado na produção, distribuição e venda de alimentos. Casos de intoxicação alimentar por Salmonella, a doença da vaca louca, superbactérias e organismos geneticamente modificados estimulam a criação e o crescimento de grupos que se tornam “seguranças”, educando outras pessoas e exigindo melhores práticas agrícolas para substituir as atuais políticas agro-coloniais criadas pelas grandes corporações e adotadas pelos governos corruptos e organizações internacionais. Na Coréia, a resistência das pessoas à carne bovina dos EUA resultou em inúmeros questionamentos de sua suposta democracia representativa. Na Oceania, a Austrália anunciou uma nova campanha para recuperar o controle de seu sistema de alimentação para que mais pessoas aprendam cada vez mais e possam gerir a sua nutrição, o que naturalmente inclui o fornecimento de alimentos. Sobre os OGM, o número de grupos de cidadãos ao redor do mundo são tão numerosas e diversos quanto as culturas que eles representam.

Um único parece ser o objetivo comum da maioria destes grupos: a superação das consequências sociais, econômicas, sanitárias e ambientais que o modelo do sistema alimentar industrial trouxe ao povo. Cooperativas de alimentos orgânicos sao criadas. Os cultivos produzidos localmente estão aparecendo até mesmo em países desenvolvidos, onde as grandes corporações têm um punho forte no mercado de alimentos. Grupos locais continuam a organizar campanhas para expor os perigos dos organismos geneticamente modificados e da produção industrial de carne de porco e peru. Supermercados respeitam mais o ambiente, a agricultura, as fazendas e agricultores para atrair mais clientes. Mas, talvez mais importante que isso é o fato de que mais pessoas agora entendem que a auto-suficiência alimentar é um dos principais objetivos que todos nós devemos procurar. Campanhas educativas complementares são lançadas para explicar o conceito de soberania alimentar e do direito das pessoas a uma alimentação saudável. Uma das chaves para a independência alimentar e segurança é evitar modelos agrícolas que promovam o plantio e a comercialização de uma única cultura, como soja, milho, açúcar e outros. Diversidade alimentar em solos naturalmente fertilizados é o que faz qualquer modelo garantir que existirão alimentos disponíveis para quem precisar. A criação e promoção de associações locais ou cooperativas que empregam trabalhadores locais para plantio e colheita de frutos cultivados localmente, legumes e carne estão dando melhores resultados para as pessoas do mundo inteiro. Produção local de alimentos é a única maneira de garantir a segurança, preços justos e disponibilidade de alimentos que têm o potencial de acabar com a fome.

Para obter informações detalhadas sobre a segurança alimentar visite os seguintes links:

 Institute for Responsible Technology

 Navdanya International

 GRAIN

 Food Safety for Whom

 En Español

 Folleto Riesgos a la Salud

 Guía de Compras No-OMG