Quando a percepção da legalidade dinamita a ética e a moral?

POR LUIS MIRANDA | THE REAL AGENDA | FEVEREIRO 12, 2013

As terríveis conseqüências de ter um advogado como presidente de um país são bem conhecidas. De acordo com muitos advogados, a lei, ou a percepção da legalidade prevalece sobre a moral e a ética. As vezes, mesmo na ausência de legalidade, atos imorais e antiéticos são cometidos e justificados com pouca oposição daqueles que, em outros casos, mantêm o poder das leis que beneficiam suas explicações infundadas.

A idéia de que uma pessoa ou uma pessoa em nome de um país ou um grupo pode se dar o poder de matar os outros, se ele acha que são uma ameaça, não é legal, moral ou ético. Alguns advogados, no entanto, dizem o contrário. Eles explicam que matar alguém cuja culpa não foi provada é legal em alguns casos. Usam critérios que são supostamente contidos em leis de segurança internacionais, constitucionais e nacionais que utilizam como justificativa para executar alguém sem provar sua culpa ou a intenção de cometer um crime, e, assim, prejudicam o direito ao devido processo legal e o benefício a ser julgados de acordo com a lei.

O exemplo mais recente do que eu chamo de “idiotice da legalidade” é o ponto de vista do Christopher Swift, professor assistente de Estudos de Segurança Nacional da Universidade de Georgetown. Durante uma entrevista onde ele foi questionado sobre a legalidade, moralidade e ética que são usados ​​para apoiar o assassinato de americanos e milhares de inocentes com ataques dom drones, Swift argumenta que tal ação deve ser analisada através de três microscópios diferentes. Primeiro, o aspecto legal, no qual Swift apoia as políticas assassinas do governo dos EUA.

No caso de Anwar al-Awlaki – um cidadão dos EUA assassinado no Iêmen por um ataque com drones – “está dentro do direito internacional”, disse Swift, porque o homem estava em um país que autorizou EUA usar drones na luta contra a Al-Qaeda. Como todos já sabem, al-Awlaki era um agente dos EUA na região. Ele era um ativo do governo dos EUA quem jantou no Pentágono poucos dias depois dos ataques de 9/11. Ele era um membro da Al-Qaeda, a organização terrorista criada pelo governo dos EUA na década de 1970, como Hillary Clinton, disse na Fox News.

“É também atende legalidade constitucional”, diz Swift. Ele diz que um presidente dos EUA pode encomendar a morte de um Americano “, mesmo se ele estiver em um país estrangeiro que está em guerra.” Swift baseou sua hipótese sobre a alegação desacreditada que al-Awlaki estava conspirando para atacar os Estados Unidos ou um aliado dos EUA.

Esta afirmação vem do governo dos EUA, para quem o clérigo trabalhou, em cujo caso as pessoas que deveriam ser assassinados são os membros do governo que patrocinaram, e mantiveram em segredo o apoio a Al-Awlaki, supostamente para realizar tais ataques. Na verdade, há um mecanismo legal para punir aqueles que violam a segurança do país (EUA). Essas pessoas são acusadas ​​de traição, que é o que um seleto grupo de altos funcionários do governo dos EUA têm feito: cometido traição contra o seu país.

A posição do Swift sobre esta questão mostra três coisas. Primeiro, que ele é, pelo menos publicamente, um perdedor incauto que confia no seu governo. Segundo, ele mataria qualquer pessoa antes de conceder o devido processo, só porque há uma lei que o apoia, mesmo que a lei é contra a Constituição. Em terceiro lugar, a percepção da legalidade e constitucionalidade, como é entendida no âmbito da Constituição dos EUA, foi alterada pelos chamados juristas, porque, embora o documento garante o devido processo a toda pessoa acusada de um crime, quem estuda e interpreta a lei não acreditam que esse direito deve ser respeitado em alguns casos. Em suma, em nenhuma parte da Constituição dos EUA o governo está autorizado a sequestrar, reter ou assassinar cidadãos sem julgamento, e quaisquer outras regras criadas por políticos que diga o contrário é simplesmente inconstitucional. Mas os advogados criam leis e interpretações de leis, de forma que o público percebe que tais ações são legais e constitucionais.

“O Supremo Tribunal Federal confirmou que é legítimo matar um cidadão dos EUA, sem violar a Quinta Emenda, desde que, ele seja uma ameaça iminente”, diz Swift. O fato de que o Supremo Tribunal considerou que a prerrogativa do governo deu-se para matar cidadãos do país ou no exterior, não tem status legal, moral ou ético. O assassinato é sempre um crime e a idéia de que qualquer ameaça questionável, quase sempre falsa, justifica matar alguém realmente está ameaçando os pilares legais que suportam os Estados Unidos como uma república.

Só porque algo é percebido ou interpretado como legal, o que não é o caso aqui, não quer dizer que é constitucional, moral ou ético. Em outras palavras, uma lei não é legal porque é uma lei, mas porque é regida pelas disposições legais no documento único que deve ser a base para toda a atividade de governo: a Constituição.

Swift também analisa a legalidade da tortura. No caso de crimes cometidos pela administração anterior, Swift encontra argumentos legais para dizer que a tortura é ilegal. “A autorização do uso de tortura durante os mandatos de George W. Bush é totalmente ilegal “, disse Swift.

É importante lembrar que muitas das sessões de tortura realizadas pelo governo dos EUA, que têm mostrado ser ferramentas inúteis para obter informações relevantes, terminou na morte de muitos daqueles que foram torturados. Desta forma, Swift vê assassinatos por drones como uma ação jurídicamente legal, enquanto condena outros métodos de assassinato tais como a simulação de afogamento. Há um duplo padrão aqui?

Quando perguntado sobre se o governo Obama deve mudar sua estratégia em sua suposta tentativa de combater o terrorismo, Swift rapidamente apontou o que ele acredita ser o aspecto relevante da discussão. “O debate não deve incidir sobre a legalidade de ataques com drones, mas a sua eficácia a longo prazo. É eficaz a luta contra o terrorismo, quando feito com um controle remoto? Não é eficaz, não. O sucesso do exército não está contribuindo para a estabilidade política que é o que os EUA pretende alcançar no Iêmen e no Afeganistão. ” Swift tenta evitar desafios legais, éticos e morais tentando virar a discussão para a eficácia dos assassinatos em um contexto diferente, o da suposta estabilização da região oriental.

Claramente Swift e o governo dos EUA têm muito em comum. Por exemplo, eles acreditam que o direito universal à vida não existe quando uma pessoa tem a pele morena, veste um turbante e vive em um país a milhares de quilômetros de distância dos EUA, de onde expressa o ódio pela política dos EUA.

Além disso, a legalidade e constitucionalidade não são o que os documentos fundadores dos Estados Unidos dizem que são, mas o que os advogados dizem que é, não importa quanto essas interpretações do que é legal ou constitucional desafiam à Constituição e a Declaração de Direitos dos EUA. Por último, mas não menos importante, a lei prevalece sobre a moral e a ética. Você pode até mesmo arriscar um palpite e dizer que para pessoas como Barack Obama, um advogado constitucional e Christopher Swift, o traço da humanidade é simplesmente irrelevante, especialmente se houver uma ‘porta dos fundos’, que pode ser usada para destruí-la.

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