Traficantes de drogas entre os melhores clientes do Banco HSBC

POR LUIS MIRANDA | THE REAL AGENDA | 18 NOVEMBRO, 2012

O Ministério Britânico das Finanças e Alfândega (HMR) abriu uma investigação sobre contas bancárias no Banco de Hong Kong e Xangai (HSBC) cujos proprietários são cidadãos britânicos da ilha de Jersey, conhecida por seus baixos impostos.

Conforme relatado pelo Daily Telegraph, a investigação começou depois de uma denúncia anônima que daria detalhes de contas de clientes do Reino Unido na ilha e no exterior.

Os membros da lista de 4.388 pessoas incluem celebridades que mantêm em torno de  699 milhões de libras fora do país e bilhões de libras em planos de investimento.

O jornal disse que a lista de pessoas em Jersey inclui Daniel Bayes, um conhecido traficante de drogas conhecido e ex condenado, que se encontra na Venezuela, e Michael Lee, que foi condenado por posse ilegal de centenas de armas. Há, também, três banqueiros que, no passado, foram processados ​​por fraude.

O banco HSBC tem a obrigação legal de informar, em caso de dúvida sobre, a origem dos fundos depositados nas contas. O banco pagará aos Estados Unidos 1,5 bilhões de dólares em penalidades por lavagem de dinheiro.

Jersey, a maior ilha do Canal da Mancha, é uma democracia parlamentar, com sua própria leis judicial, financeira, legal e independente. Seu status de paraíso fiscal irrita, cada vez mais, os britânicos afetados pela recessão e um déficit significativo.

Não é a primeira vez que as autoridades descobrem que o banco HSBC e outros, como Wells Fargo e Wachovia, ajudam a transferir milhões e, às vezes, bilhões de dólares em todo o mundo, embora a origem destas grandes quantidades de dinheiro são desconhecidas. Em maio, o jornal Vancouver Sun informou sobre como o HSBC permite a lavagem de grandes quantidades de dinheiro através das contas pertencentes a alguns de seus clientes mais ricos. No artigo, o jornal relatou que documentos e e-mails do HSBC mostraram que não só o banco não questionava a fonte dos fundos, mas, também, fazia o possível para esconder a transferência de dinheiro de clientes de origem iraniana, libaneses, brasileiros e cubanos. A maioria das transações suspeitas foram realizadas nos escritórios do HSBC em Nova York e Miami.

Bloomberg também informou sobre como o HSBC, Wachovia e Bank of America lavaram bilhões de dólares dos cartéis de drogas mexicanos. Neste caso, os traficantes tinham comprado um avião DC-9 com fundos lavados que foram transferidos através de dois dos maiores bancos nos EUA: Wachovia Corp e Bank of America Corp, relatou a revista Bloomberg Markets em agosto de 2010. O Banco Wachovia lavou $ 378,4 bilhões originados em casas de câmbio no México entre 2004 e 2007. Essa é a maior violação da Lei do Sigilo Bancário na história dos EUA , uma lei contra a lavagem de dinheiro.

Grande parte da lavagem de dinheiro por bancos internacionais geralmente acaba no mercado de ações, o que muitos atribuem por ser a razão pela qual a economia global não colapsou completamente em 2008. Grande parte do dinheiro da droga é utilizada para financiar as operações de inteligência da CIA e o resto vai para a compra de grandes extensões de terra e recursos de todo o planeta.

Para o HSBC, as ações de lavagem de dinheiro  são parte de um esquema que ” movem bilhões de dólares entre os bancos todos os dias. Segundo este sistema, os bancos nos Estados Unidos são usados ​​para mover grandes quantidades de fundos ilícitos “, disse Jennifer Shasky Calvery, Chefe da Seção deLavagem de Dinheiro do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em seu depoimento ao Congresso em fevereiro passado.

De acordo com o artigo do Vancouver Sun, bancos como o HSBC enfraqueceram  o departamento que monitora a lavagem de dinheiro e pessoas incompetentes foram contratadas para supervisionar as operações que normalmente são mantidas sob o radar. “O HSBC não examinou milhares de alertas internos contra a lavagem de dinheiro e não criou os relatórios exigidos por leis, relatórios de atividades suspeitas em transações coletadas pelo sistema de controle interno do banco.” Atividade suspeita deve ser enviada para a polícia para que tal seja estudada e monitorada. Em maio de 2010, o HSBC tinha cerca de 50.000 relatórios de atividades suspeitas que não haviam sido comunicado às autoridades.

Talvez o detalhe mais surpreendente que se evidencia nos documentos relacionados com a investigação contra o HSBC é que a gestão, intencionalmente, decidiu não examinar alguns casos de atividades suspeitas. “Parece que há casos em que os funcionários do banco estão deturpando os dados” que são enviads para o alto escalão da gerência. Em outros casos, os gerentes simplesmente mudaram as classificações de risco para algumas transações para  não alarmar a ninguém que uma fraude estava sendo cometida.

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