Mossad e o Exército Israelense se negaram a criar plano de ataque contra o Irã

POR LUIS MIRANDA | THE REAL AGENDA | 18 NOVEMBRO, 2012

Todo mundo sabe que Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelense, e o seu ministro da Defesa, Ehud Barak, mal podem esperar para bombardear o Irã. Todo mundo, também, está consciente de sua incapacidade de convencer os seus militares sobre a inevitabilidade de um ataque iraniano a Israel.

Também está claro que o governo liderado por Barack Obama não gostaria de realizar um ataque ao Irã – pelo menos não neste momento – apesar do espírito de luta mostrado por Netanyahu, principalmente ao longo dos últimos dois ou três meses. Se George Bush ou Mitt Romney tivessem sido presidentes nos últimos quatro anos, o ataque ao Irã seria teria uma melhor chance de ocorrer do que durante o tempo que Obama está no cargo.

O que não se sabia é que tanto Mossad quanto o exército israelense se recusaram a preparar um plano para atacar o Irã. O plano foi solicitado por Netanyahu, de acordo com o Canal 2 da televisão israelense. O atual primeiro-ministro pediu a elaboração de planos específicos e ainda ordenou que o país se preparasse para um ataque iminente em 2010. Mossad e o Exército, ao contrário do que Netanyahu tinha em mente, se recusaram a criar ou implementar tais planos.

Gabi Ashkenazi, então chefe de estado, e Meir Dagan, chefe do Mossad, mostraram a sua oposição aos líderes políticos e deixaram claro que um ataque ao Irã seria equivalente a uma declaração de guerra, o que eles consideravam um erro estratégico de primeira ordem.

Uvda foi o programa do Canal 2 que fez as revelações na noite de segunda-feira em Israel, segundo foi anunciado pela imprensa local. A reportagem fala de uma reunião que aconteceu em 2010 e contou com a presença de sete ministros do Executivo.

Imediatamente após a reunião e pouco antes de Ashkenazi e Dagan saíram dessa reunião, Netanyahu ordenou a elevar o nível de alerta chamado “P Plus”, o código usado para a preparação para um ataque militar iminente.

Dada a incerteza do Primeiro-Ministro, Ashkenazi e Dagan se recusaram, informou o jornal Yedioth Ahronoth. “Você pode estar tomando uma decisão ilegal em ir à guerra”, Dagan disse a Netanyahu.

O chefe do Mossad estava se referindo às implicações políticas da declaração desta suposta declaração de guerra. O fato de que Netanyahu ordenou ao exército e  Mossad a se prepararem para um ataque significa que o primeiro-ministro tentou forçar seus ministros a aprovar tal decisão e deu a si mesmo o poder de tomar decisões sobre ir à guerra sem consultar ninguém.

Uvda quis confirmar esta versão dos acontecimentos com o ministro Ehud Barak e ele os confirmou. O ministro da Defesa Barak aparentemente se distanciou de Netanyahu após a reunião por causa de sua intenção de atacar o Irã. Netanyahu disse que não iria deixar o Irã produzir uma arma nuclear.

Enquanto Teerã sustenta que suas instalações nucleares são utilizadas apenas para a energia, o Ocidente suspeita dos planos do Irã e o primeiro-ministro israelense considera uma ameaça existencial para o seu país.

No seu recente discurso à Assembléia Geral das Nações Unidas no final de setembro, Netanyahu deu a entender que o ataque ao Irã poderia esperar até a primavera ou até mesmo o próximo verão.

O primeiro-ministro calcula que, a partir deste momento, o programa nuclear do Irã poderia chegar a um ponto em que seria capaz de produzir uma bomba nuclear dentro de semanas. Washington tem se mostrado relutante até o momento em participar de aventuras militares juntamente com Netanyahu.

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